Uma plataforma para a classe trabalhadora

28/06/2013 Uma plataforma para a classe trabalhadora

Foi reafirmada em todos os encontros nacionais desde então como central para a consolidação e avanço das políticas públicas que implementamos nestes 10 anos de governo, e como referência aprovada pelo IV Congresso Nacional do PT para o nosso terceiro período de governo, encabeçado pela Presidenta Dilma.

Desnecessário louvar aqui os avanços sociais e econômicos do povo brasileiro neste período. É o que estamos fazendo desde o começo do ano, em publicações e eventos públicos. A recente derrota no Congresso Nacional de nossa proposta de Reforma Política e a decisão do governo federal de nem sequer tentar colocar em discussão a proposta de um novo marco regulatório para as comunicações mostram que, no entanto, a agenda das reformas não avançou como desejávamos.
 
A constatação é do próprio Diretório Nacional do PT, ao trazer essa questão para o centro do debate do V Congresso Nacional do Partido, conforme texto da sua convocação: “A grande transformação realizada não pode ocultar a existência de uma volumosa agenda de mudanças pendentes: sociais, econômicas, político-institucionais, culturais. Apesar dos avanços alcançados, ainda persistem desigualdades sociais, bolsões de miséria e expressivos setores da população que ainda vivem na pobreza. A exclusão não se expressa apenas em termos de renda. Tem outras manifestações importantes: baixos níveis de educação; deficiente formação para o mundo do trabalho; precárias 
condições ambientais, de habitação, de saneamento, de mobilidade urbana e de acesso à saúde; baixa proteção em relação às manifestações de violência do crime organizado, das polícias ou de expressões domésticas, como aquelas que se exercem cotidianamente contra as mulheres, os negros, os jovens, os homossexuais ou os presos. A exclusão também se manifesta, muitas vezes, pela recusa, quando não pela criminalização da política. Muito foi feito nestes dez anos, mas ainda é insuficiente. Por isso, faremos avançar mais.”
 
Reformas estruturais que tensionam a estrutura capitalista e a formação social brasileira não foram atingidas por este processo. As várias tentativas de aprovar a Reforma Política foram derrotadas num Congresso que se recusa a auto-reformar-se e democratizar as estruturas do Estado, do sistema político e das eleições. A Reforma Tributária, a regulamentação dos dispositivos constitucionais sobre o funcionamento da mídia e a liberdade de expressão, as Reformas Agrária e Urbana, em que pesem os avanços conquistados, não foram efetivadas neste curto espaço de governo.
 
De novo a convocatória do V Congresso constata a necessidade de um avanço na correlação de forças do País para a realização dessas reformas democráticas e populares: “Trinta e três anos após sua fundação e passados dez anos do início do Governo Lula, o PT vive um desses momentos. Nosso partido tem uma dupla e complexa tarefa: apoiar os Governos que ajudou a eleger, mantendo sobre eles uma permanente e generosa vigilância crítica; e atuar na sociedade para alterar a correlação de forças, para tornar possível avançar em direção aos nossos objetivos históricos e estratégicos.”
 
Premonitório, pois aprovado em 8 de dezembro de 2012, o texto do Diretório Nacional avaliou corretamente a emergência de novos segmentos sociais que, beneficiados pelas políticas públicas de nossos governos, colocaria necessariamente avanços a serem obtidos somente com uma nova correlação de forças na sociedade.
 
Pois bem, diferentemente de vozes isoladas que afirmaram recentemente nada ter o PT a fazer nas manifestações de massa em curso em todo o país, chegou o momento de disputar rumos de uma conjuntura em aberto. Como debatemos em artigos anteriores, trata-se de um conjunto de manifestações que, nascida de um pleito justo e objetivo – transporte bom e barato – extrapolou para amplas mobilizações com bandeiras e perspectivas difusas logo disputadas pelas diferentes forças políticas e ideológicas da sociedade.
 
Desde a última sexta-feira, partidos de esquerda, centrais sindicais e movimentos populares realizam em várias cidades do país plenárias para identificar os elementos dessa disputa. Parece claro que sem uma plataforma clara que identifique os interesses de classe dos trabalhadoros e do povo brasileiro e uma presença organizada da esquerda nas manifestações estas podem caminhar para uma hegemonia conservadora, elitista, imposta de fora para dentro pela mídia privada e outros meios de comunicação alternativos controlados pela oposição ao nosso projeto de transformações socialistas para o Brasil.
 
A construção da unidade em torno dessas bandeiras é tão custosa quanto necessária, ainda que comporte uma pluralidade democrática que comporte diferenças pontuais. Mas com certeza ir pra rua com bandeiras como 10% do PIB e os Royalties do Petróleo para a Educação, Jornada de Trabalho de 40 horas semanais, aprovação da PEC do Trabalho Escravo, Reforma Urbana e Reforma Política é muito diferente do que ir pra rua com bandeiras e cores partidárias na defensiva frente à hostilidade anti-política e anti-partidos insuflada na massa.
 
Não há outro rumo para alterar a correlação de forças em favor das transformações sociais do Brasil sem disputar o presente movimento de massas, sem o que a correlação de forças adversas a estas transformações tendem a se consolidar com reflexos sociais, culturais, políticos, econômicos, ideológicos e eleitorais conservadores ou retrógrados.
 
O diálogo proposto pelo importante pronunciamento da Presidenta Dilma em rede nacional de rádio e TV com as forças institucionais e os movimentos sociais deve encontrar o PT preparado. Tanto institucionalmente quanto nas ruas. Com uma plataforma que apresente e defenda nossas bandeiras históricas, para avançar e aprofundar as mudanças pelas quais lutamos desde nossa fundação.

Fonte: PT Nacional

 

Compartilhe

Recomendados

Sem categoria
Nota oficial do Partido dos…
26/08/2022