Referendo valor da democracia direta
É o que dizem os antidemocratas: “entre outras
coisas, dá pra fazer escolas e hospitais…” Acontece a cátedra: eleição, plebiscito e referendo. É como uma aula nova na escola velha, ou o contrário, valorizando e engrandecendo o conhecimento do exercício da democracia direta, o perfeito regime político. E isso, com certeza e sem sombra de dúvida, vale incontáveis escolas, é uma universidade. Também é verdade que a saúde da democracia depende de exercício, de plebiscito, de referendo. É salutar. A isso se chama democracia direta. E a direta é mais significativa e poderosa que a democracia representativa. Assim deve ser.
Qualquer que seja o custo do referendo é ínfimo diante do ganho da consciência ecológica, é sabedoria sadia.
É também verdade que o poder da democracia representativa tombou ícones do patrimônio histórico de Fortaleza e, mesmo assim, esses patrimônios transformaram-se em pó. Esse poder constituído e representativo não evitou a destruição da Itapuca Vila no Jacarecanga, que, a troco de nada, virou pó. É o mesmo poder que se omitiu sem expedir nenhuma resolução, ato, decreto, projeto de lei, emenda… Nada, absolutamente nada, em nenhuma esfera de poder, foi feito para impedir que destruíssem o guindaste Titã da Praia Mansa, desmontado e derretido pela ditadura. Deve ter virado navio e submarino. Foi o fim do maior e mais belo ícone dessa esquina do mundo.
Deixaram destruir o casarão do cientista Rodolpho Theofilo na Av. da Universidade e, em troca, fizeram lá um espigão; deixaram também destruir o Palácio do Plácido na Av. Santos Dumont, para construir em seu lugar uma imitação de taba indígena; demoliram o casarão de Dom Helder Câmara na Av. Alberto Nepomuceno para erguer o Mercado Central; destruíram mangue para construir shopping; querem
desconstruir a Estação da Parangaba para o metrô passar…
É, sempre fica por isso mesmo! É a “força da grana que ergue e destrói coisas belas” na memória do povo e na historia da cidade. Vamos deixar continuar assim? Não é esta a hora de dar um basta? O referendo sobre a construção da torre no mangue do rio do Cocó faz vivenciar na prática a democracia direta, é fazer valer como está o artigo primeiro da Constituição.
Federal: a democracia emana do voto do povo e em seu nome é exercida. É hora de saber se o voto direto do povo de Fortaleza é mais eficiente na luta contra a força da grana que tem a destruição do mangue e a construção da torre como coisa julgada numa cláusula pétrea de um direito adquirido. Resta saber se o cumprimento das determinações dessa lei (que permite a construção da torre) a torna legal, justa e legitima para com o meio ambiente e o futuro dos nossos filhos. Anular a licença para construção da torre mangue do rio ou não. Esse é o referendo. Você decide.
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