PT Ceará fortalece luta pela liberdade de Cesare Battisti
Esse foi um dos resultados da reunião da Executiva do Diretório Estadual do PT-Ceará, realizada nesta segunda-feira (24/01) pela manhã, na sede do partido. A decisão aconteceu após as colocações dos (as) companheiros (as) Maria Luiza Fontenele, Jorge Paiva e Rosa Fonseca, sobre a gravidade do momento com relação ao caso Cesare Battisti e as propostas do "Movimento Liberdade Já para Battisti".
Após a entrega da carta e a aprovação da Executiva, foram acertados outros encaminhamentos, em particular o apoio ao Ato (no dia 27, aqui em Fortaleza) e à Caravana a Brasília. Destacou-se também como questão importante coletar o máximo de assinaturas de partidos políticos, entidades e personalidades em plano estadual e nacional subscrevendo a carta (abaixo) para darmos entrada até 5ª ou 6ª feira no protocolo da Presidência da República.
Conclamamos todos (as) que participem ou tenham contatos com partidos, movimentos, sindicatos e outras organizações (e/ou personalidades) em todos os estados a buscar adesões.
(Mensagem de Nildes Alencar à presidenta Dilma pela Liberdade de Cesare Battisti)
Exma. Presidenta da República do Brasil
Sra. Dilma Rousseff
Encaminhamos nosso apelo à libertação de Cesare Battisti nos termos que se seguem:
“Pai Nosso,
queremos consagrar a nossa juventude, a fim de prepararmos, desde agora, a fidelidade, sem desfalecimento, de toda a nossa vida”.
Foi assim que muitos dos jovens estudantes que pertenceram à Ação Católica, em todo o Brasil, entoaram esse belo e significativo compromisso.
Pois não é verdade que muitos de nós continuamos há mais de 50 anos firmes nele?
A Ação Católica – JEC (Juventude Estudantil Católica Feminina) foi desativada como militância leiga da igreja por não admitir as imposições da Ditadura Militar de 1964. Mas, o compromisso de cada uma, bem como a militância, continuou.
Engajaram-se, com mulheres cearenses e as demais mulheres dos estados do Brasil, na luta pela Anistia do Povo Brasileiro, particularmente por aqueles assinalados pela Ditadura como subversivos, terroristas, assaltantes, sequestradores, assassinos. Lutamos. E como lutamos!
Nada fácil nos primeiros dias. A opinião pública, manipulada pelo sistema de comunicação este que, ou por imposição da ditadura, ou por ignorância, ou por oportunismo ou até mesmo por ideologia, falseava a imagem dos tantos brasileiros que decidiram partir para o confronto por entenderem que a liberdade era o maior bem que possuíamos para a garantia da conscientização e que, a partir dela, criar-se-iam condições para a garantia dos direitos do homem: dignidade e justiça social.
A Anistia foi conquistada, não como a compreendíamos e a queríamos. Mas abriu as portas das cadeias, das salas de tortura, desvendou as “sucursais do inferno” e trouxe de volta nossos irmãos brasileiros – os vivos. Muitos aniquilados física e psicologicamente. Mas, voltaram. Os que não voltaram em corpo vivo, voltaram em espírito e se encarnaram no nosso ser, nas nossas almas. Muitos deles voltaram transformados em tamanho mistério que, “se possível fosse, até os eleitos se enganariam” (palavras do evangelho de Cristo). É o caso de Cesare Battisti.
Nós não podemos, não devemos e nem entendemos a distância, o recolhimento (para não dizer omissão) daqueles que sofreram na carne a mesma experiência de estar “à mercê” dos descompromissados com as verdadeiras causas que “salvam” a humanidade.
Dilma Rousseff, hoje nossa Presidenta Brasileira, é nesse contexto político-histórico aqui resumido que estamos apelando pela “ANISTIA” de quem encarna momentos de dores, angústias e esperanças. Poderíamos dizer juntas: lutemos pela ANISTIA de Cesare Battisti!
Vossa Excelência foi fruto dessa luta, sentiu no seu próprio corpo o sofrimento que foi também o de tantos anos de prisão dos nossos irmãos brasileiros, de tantos torturados, mortos/desaparecidos em Conceição do Araguaia e outras regiões do país, os banidos, os exilados, os clandestinos… É o sangue de Frei Tito de Alencar derramado na cela da Operação Bandeirante – OBAN. É o seu corpo e a sua alma machucada, ferida, torturada, pendurada numa árvore. É justamente com base nesse compromisso, em tudo que temos de mais sagrado dentro de nós, que apelamos à vossa sensibilidade na expectativa de que Vossa Excelência, coerente com tudo isso, tomará as medidas necessárias para atender ao nosso apelo: Liberdade para Cesare Battisti.
Senhora Presidenta!
Esse contexto histórico-político de luta não pode ser manchado! É o que temos de mais significativo, que resgatou nossas vidas, que nos deu e nos dará o direito de proclamarmos: “Somos mulheres, homens, jovens, mães, amantes e irmãs que juntos a todos os que se somaram a nós, dizemos: Valeu, mas a luta continua!”
Fortaleza, 24 de janeiro de 2011
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