Pré-sal: discussão sobre royalties não pode atrapalhar marco regulatório, diz Lula
Não é justo que a questão dos royalties atrapalhe o fato essencial, que é a aprovação do marco regulatório do Pré-sal, afirmou o presidente Lula em entrevista exclusiva concedida ao jornal A Tarde, de Salvador (BA), e publicada nesta sexta-feira (26). É preciso ter sensatez em relação à votação dos projetos do marco regulatório no Congresso, disse Lula na entrevista.
Lula afirmou ainda que a riqueza do Pré-sal não pode ser consumida para resolver gastos correntes das prefeituras. “A riqueza do Pré-sal é enorme, mas não é infinita. Por isso temos de garantir um destino que ajude o País a se desenvolver e crie uma poupança para as gerações futuras”, disse ele.
O presidente brasileiro também falou sobre o papel mediador do Brasil nas negociações de paz entre palestinos e israelenses e as eleições presidenciais deste ano:
"Temos que acabar com o complexo de inferioridade – hoje somos uma voz respeitada no cenário mundial e devemos ser cada vez mais atuantes nas questões que afetam direta ou indiretamente toda a humanidade. Todos com quem falei, árabes e israelenses, se mostraram extremamente receptivos e viram com muito bons olhos a nossa contribuição na busca da paz. Eles querem que nós atuemos. Na viagem, pude perceber que não apenas as lideranças, mas também os seus povos expressam grande carinho, admiração e respeito pelo Brasil. A visita a Israel, aos Territórios Palestinos e à Jordânia, constituiu-se numa excelente oportunidade para que levássemos àquela região uma palavra em favor da paz, que é a verdadeira vocação do povo brasileiro. O Brasil é um país que considera o diálogo construtivo a única forma justa e eficiente para a solução de conflitos e, ao optar, sempre, pelo pacifismo, tornou-se o lar das pujantes comunidades árabe e judaica, que aqui vivem em perfeita sintonia", afirmou.
Sobre a multa de R$ 5 mil aplicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposta campanha antecipada, Lula lembrou que a decisão não é definitiva e que seus advogados vão entrar com recurso. “Espero que a multa seja anulada, uma vez que, no meu entendimento, não houve nem tem havido campanha antecipada, nem dissimulada”, explicou.
Segundo Lula, nos governos anteriores não havia empreendimentos, não havia obras, não havia nada para ser inaugurado:
"Nós fizemos – e fizemos muito – e temos o dever de entregar à população, temos o dever de mostrar à sociedade de que maneira estamos aplicando os recursos dos impostos. Estamos prestando contas à população e mostrando nossos serviços, como devem fazer todos os governos. Não podemos ser penalizados por tomar iniciativas, por criar programas, por investir em obras mais do que necessárias, que há muito tempo já deveriam ter sido feitas por outros governos. Se a ministra Dilma Rousseff é a coordenadora do PAC, se ela se empenhou, se dedicou sua energia, sua inteligência em prol das melhorias que estamos implementando, por que na hora da inauguração tem que ficar recolhida em casa?", enfatizou.
Blog do Planalto
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