Pelo fim do analfabetismo

12/09/2008 Pelo fim do analfabetismo

Mais lamentável ainda é constatar que essa chaga social se concentra, sobremaneira, no Nordeste, na nossa terra. Boa parcela desses analfabetos brasileiros é negra, com idade entre 40 e 45 anos, e vive de baixa renda.

A informação foi divulgada pela imprensa nacional nessa semana e é fruto de análise da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Tomando por base o resultado da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006, percebemos que 10,38% da população, com 15 anos ou mais, não sabem ler nem escrever sequer um recado, um bilhete. Nesse universo, o número de negros e pardos analfabetos é duas vezes maior que o número de brancos analfabetos.

Esse percentual representa 14,3 milhões de brasileiros. Na área rural, o índice é maior e revela que a população que não sabe ler nem escrever soma 25%. São dados alarmantes, de fato. Mas, antes de apenas nos impressionarmos com os números e concluirmos simplesmente que o Governo não dá a mínima para a educação, precisamos observar os passos que o País está dando para a erradicação do analfabetismo.

No ano 2000, o Brasil assinou o compromisso Educação para Todos, que foi acordado durante a Conferência Mundial de Educação, em Dacar. Uma das metas ali estabelecidas foi a redução do analfabetismo para 6 % até 2015. O Governo Lula, tendo como uma de suas prioridades a melhoria da educação no País, lançou, em 2007, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PNDE), o chamado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Educação.

A prioridade do PNDE são medidas para o ensino médio e infantil, sem, no entanto, descartar o desenvolvimento de ações para a educação básica fundamental, técnica e de adultos. Um dos pontos principais foi a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), para medir o rendimento dos alunos, as taxas de repetência e evasão escolar. O Ideb de 2007 para as séries finais do ensino fundamental foi 3,5. Neste ano, o mesmo índice chegou a 3,8. Um pequeno salto, mas não tão pequeno para desencorajar as ações de melhoria no setor.

Quando do lançamento do programa, o Governo se comprometeu a alcançar, até 2022, a nota seis no Ideb, média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para tanto, o Ministério da Educação (MEC) investiu cerca de R$ 1 milhão em 2007, recursos do Fundo da Educação Básica (Fundeb), para atender os mil municípios com os piores índices.

Além disso, o MEC tem desenvolvido ações, como o programa Brasil Alfabetizado – que procura atender a jovens e adultos, de 20 a 25 anos, em cursos de duração de até 12 meses – e o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), que enquadra jovens e adultos na educação, por meio do sistema de ensino da rede pública no Brasil. Essas e muitas outras são ações que se realizam contra o tempo para resolver de vez o problema do analfabetismo. Mas, ainda não imprimimos todos os esforços. Só não podemos negar que estamos no rumo certo de tornarmos o Brasil um país plenamente civilizado.

Fonte: Jornal O Estado

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