Os pobres e a crise

02/06/2009 Os pobres e a crise

Mesmo sabendo que a televisão brasileira é uma porcaria, assisti a Paixão de Cristo e Chamas da Vida; na primeira se fala de amor e de vida, na segunda ensinam como assaltar e propugnam violência e morte. Infelizmente é assim que pensa a cabeça da maioria dos que fazem a televisão em nosso país. Mas vamos falar de algumas raras sementes de trigo entre o oceano de joio.
No filme a Paixão de Cristo, eu vi uma passagem em que ele próprio diz: “Os ricos e poderosos pensam que podem tudo e podem. Mas não podem comprar a vida”.
Nesse exato momento lembrei-me da crise financeira mundial e disse para mim mesmo, esse Jesus que todo mundo acredita, inclusive os hipócritas, os mentirosos e os políticos vagabundos enganadores do povo é um Jesus bom, preocupado com os pobres, por isso multiplicou  pão e peixe para distribuir com eles, já o presidente Barack Obama e, outros presidentes de outras nações subtraem dos pobres para dar aos ricos. È de conhecimento de todo mundo que Obama conseguiu aprovar no congresso norte-americano um pacote de 700 bilhões de dólares para socorrer alguns bancos e empresas falidas. Esse dinheiro daria para salvar milhões de vidas, especialmente nos países pobres do terceiro mundo. E lembrem-se que todo esse dinheiro estava na mão de um único Estado, o Estado norte-americano. Quantos bilhões estão nas mãos dos governos do Brasil, do Japão, da França, da Alemanha e etc.
Como explicar a existência de tanto dinheiro concentrado nas mãos de governos que administram o capitalismo, enquanto dois bilhões de irmãos nossos estão desempregados e outros tantos vivendo na mais absoluta miséria? Os trabalhadores pobres vivem em permanente crise: desemprego, falta de moradia, de segurança, de saúde de qualidade entre outras, mas apesar de tudo isso ninguém os socorre, no entanto para os ricos e poderosos o Estado oferece o socorro rápido e eficaz. Não se admirem. É para isso que serve o Estado capitalista burguês.
Segundo Lenine, o conceito de Estado é igual a um instrumento de dominação da classe social que está no poder para dar sustentação a esse modelo econômico e político, responsável por separar os indivíduos entre ricos e pobres, explorados e exploradores. Esse é especificamente o grande problema, toda riqueza do mundo  concentrada nas mãos de poucos capitalistas e a existência de um Estado forte para viabilizar toda essa tragédia mundial que convencionamos chamar de economia capitalista.
Se os governos quiserem realmente resolver a crise terão que  substituir a financeirização da economia pela produção real, não é fácil, mas se houver vontade política e coragem principalmente por parte dos governos de cultura socialista é possível inaugurar uma significativa mudança no atual modo de produção.
 Para isso apontamos algumas medidas, como: reforma agrária, agricultura familiar, apoio a pequenas e médias unidades básicas de produção, uso racional e sustentável das riquezas naturais com ênfase para as florestas e a água; educação dirigida para um consumo consciente pelo qual se despreze o supérfulo, redução da jornada de trabalho, desenvolvimento de tecnologias locais, taxação das grandes fortunas e controlo sobre a economia privada. Nada disso seria absurdo, pelo contrário, seria a perfeita coerência do Estado como mediador dos problemas para garantir o bem-estar de todos e não apenas de uma classe social.
Os partidos de esquerda, o movimento sindical e social deveria abraçar esta pauta e, assim coordenar um vigoroso movimento contra a crise, o desemprego, o capitalismo e a distribuição de dinheiro público.

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