O rei, três gatos e um rato

26/03/2009 O rei, três gatos e um rato

Durante todo tempo, os gatos permaneciam imóveis, fato que causava grande admiração. O rei se exaltava dizendo que anda desestabilizaria aqueles animais, pois haviam sido adestrados por ele próprio.
Por muito tempo, os três gatos foram exemplos inconteste de firmeza inabalável; até que um dia apareceu outro rei considerado muito saio que lançou o desafio de desestabilizar os gatos.
O desafio foi aceito e o anfitrião confiava na capacidade de concentração de seus três animais fiéis e bem treinados. Feito o acordo, uma multidão aguardava ansiosa a hora do jantar. No momento certo, a mesa foi posta e lá estavam os gatos bem no centro, serenos e imóveis, cada um equilibrava uma enorme vela na cabeça; ninguém duvidava deles.
O rei que fizera o desafio colocou a mão no bolso e retirou um rato. Ao colocá-lo sobre a mesa, houve um grande alvoroço; os gatos saíram velozmente de suas posições para tentar agarrar o rato.As velas caíram, a mesa foi destroçada, houve um princípio de incêndio e ninguém mais se entendeu.
Um pequeno rato acabara com anos de história e reputação daqueles três gatos.
Episódios assim não são somente folclore, ocorrem cotidianamente na vida real. Entre nós, militantes de esquerda, não é raro ver pessoas que ao longo de anos se mantiveram firmes na primeira linha da batalha, inabaláveis ao defenderem teses e princípios.
Ninguém jamais imaginava desacreditá-los. Mas, de repente, a firmeza inquebrantável não passava de uma farsa, era um castelo de areia na beira da praia, sem nenhuma consistência.

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