O Centro de novo
Importante haver retornado, mas é preciso desfazer essa imagem de natureza ideológica porque o mesmo foi ocupado pelos pobres e há uma quantidade significativa de suas edificações em situação de quase-ruína.
Sublinhe-se que nas metrópoles brasileiras o centro tradicional transformou-se em lugar de atendimento dos interesses e necessidades das camadas populares, porque as atividades de relevância econômica e as especializadas migraram para outros pontos da cidade com atributos de centro como os shopping centers. Assim sendo, o centro tradicional começa a se descaracterizar como local de frequência requintada, pois o comércio e os serviços de luxo deslocaram-se para outras áreas da cidade.
Deslocamento causado pelas camadas de alta renda que abandonam o centro, depois difundem a ideia de degradação do mesmo e buscam consolidar a simbologia de que o “centro velho” foi substituído pelo “centro novo” próximo do lugar onde moram. Em síntese: a dinâmica do crescimento metropolitano amplia as distâncias entre o centro tradicional e as novas localizações residenciais,aumenta as possibilidades de mobilidade das pessoas, faz surgir novas áreas de centralidade urbana.
Nesse contexto, o centro tradicional se reduz ao atendimento do consumo popular. Privilegiar o patrimônio cultural, melhorar a paisagem urbana, fortalecer as atividades do Centro de Fortaleza são desafios a serem vencidos pelos governos e sociedade. Bom começo seria afirmá-lo como lugar onde a maioria da população, as camadas populares, compra bens e serviços. Nesse passo, ações para esse bairro têm que visar os interesses e necessidades desse público que é quem garante a vitalidade do Centro.
Compartilhe