Miguel Arroyo diz que programa de Superação da Extrema Pobreza só terá êxito se levar em conta os Movimentos Sociais

21/06/2011 Miguel Arroyo diz que programa de Superação da Extrema Pobreza só terá êxito se levar em conta os Movimentos Sociais
"Nossa história sempre negou conhecimento aos mais pobres". A frase proferida pelo professor Miguel Arroyo durante a palestra “Educação no campo e as estratégias de superação da pobreza rural" no  seminário “Tecendo Caminhos para Superação da Pobreza no Campo e na Cidade", promovido pelo mandato do deputado federal Eudes Xavier, sintetiza um pouco a origem dos graves problemas sociais que o país ainda enfrenta e que vem buscando superá-los   nos últimos anos. Para Miguel Arroyo os graves problemas de pobreza no Brasil, principalmente no meio rural, não estão ligados somente  às questões secularmente alardeadas, à exemplo das condições climáticas. Para ele, a situação é bem mais complexa.

Miguel Arroyo diz que se há o real interesse de  superação da extrema pobreza no país é preciso entender uma série de questões. O combate a pobreza, diz o educador, deve ser visto sob uma outra ótica. “Temos que respeitar as raízes, os valores do homem do campo. Os próprios movimentos sociais provam que há outras formas de se pensar em erradicar essa pobreza. As escolas do campo devem levar em conta o meio onde elas estão. É preciso compreender as necessidades dessas pessoas para poder atendê-las sem desrespeitar sua origem, sua cultura", afirmou. 
Segundo ele, o projeto do governo Dilma de superação da miséria só obterá êxito se os movimentos sociais forem engajados e atendidos em suas verdadeiras necessidades. “Esse projeto não pode vir de cima para baixo, criticou.  Miguel Arroyo destacou  a importância da educação nesse processo de mudança. Para ele, tornar os camponeses e camponesas produtivos como forma de inclusão social é uma questão que merece questionamentos, uma vez que a educação deixa de ser um direito para tornar-se um condicionante de torná-los produtivos. “O Estado sempre quis ser pai dos pobres. A estratégia política foi sempre manter os pobres como pobres . Aqui nunca tivemos estado do bem-estar social”.
A representante do MST, Antônia Ivoneide Silva, a Nenen, além de concordar com o professor Arroyo, lembra que a educação é um instrumento essencial no combate a extrema pobreza, mas adverte: “Não queremos qualquer educação. Queremos educação com identidade, que respeite nossos princípios, que nos ajude na libertação". Neném também lembrou que o sucesso do programa do governo  só será pleno se houver uma política eficaz de desconcentração de  renda e de reforma agrária. 
Para o presidente da Fetraece, José Pereira, o combate a miséria no campo encontra na educação um forte aliado. Entretanto, defende uma educação diferente daquela que ainda impera na maioria das escolas do campo. “É preciso que a gente pense em educação que valorize a terra, as lutas sociais e o trabalho daquele que ali estão e que conhecem bem o seu espaço e suas necessidades", resume o sindicalista.

Fonte: www.eudesxavier.org.br

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