Lula confiante para o 2º turno: ‘Sou bom de mata-mata. A família Bolsonaro que se cuide’
Com energia renovada, presidente convoca mobilização pela vitória e promete ampliar conquistas: ‘Estaremos na rua para que a gente possa derrotar o negacionismo neste país’
Fonte: PT
Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo, 4, que o segundo turno abre uma nova campanha, com confronto direto entre dois projetos para o Brasil, e demonstrou confiança na vitória. Em sua primeira manifestação após o resultado das urnas, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o petista recorreu ao futebol para anunciar a disposição de seguir na disputa: “Eu sou bom de mata-mata. O jogo vai começar, estamos na prorrogação. Segunda-feira vamos conversar e terça-feira a família Bolsonaro que se cuide”.
Antes de iniciar a fala, Lula foi ovacionado pelos presentes, que o receberam com palmas e gritos de “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula!”.
Lula registrou mais de 45% dos votos válidos e disputará a Presidência com Flávio Bolsonaro (PL) em 25 de outubro. Para o presidente, a nova etapa permitirá mostrar com mais clareza as diferenças entre as propostas para o país e o que está em jogo para a população.
Lula apontou a continuidade das políticas de inclusão social e os investimentos em educação como prioridades do projeto que apresentará aos brasileiros. A mensagem foi de mobilização e confiança: “Nós vamos ganhar essas eleições porque não vamos permitir que o povo brasileiro sofra um revés de tudo aquilo que nós conquistamos. Termina a primeira fase do campeonato brasileiro. E a segunda fase é pro Lula ganhar as eleições e continuar governando esse país”.
O presidente agradeceu aos milhões de brasileiros que compareceram às urnas e reconheceu que esperava vencer no primeiro turno. Lembrou que suas vitórias na disputa pela Presidência vieram no segundo turno e que também esperava resolver a eleição na primeira votação quando enfrentou José Serra, em 2002, e Geraldo Alckmin, em 2006.
“Mas a gente tem o segundo turno, e o segundo turno é a hora da prova dos noves. É a hora da gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, afirmou.
Além de Alckmin, estavam presentes Fernando Haddad, Marina Silva, Simone Tebet e os ministros Sidônio Palmeira, Guilherme Boulos, Dario Durigan, Alexandre Padilha, Leonardo Barchini, Paulo Pereira, Márcio Elias Rosa e Miriam Belchior, além do presidente do BNDES, Aloízio Mercadante. A ex-presidenta Dilma Rousseff também passou no hotel em que Lula acompanhou a maior parte da apuração para lhe dar um abraço. Dirigentes partidários, como o presidente nacional do PT e coordenador político da campanha, Edinho Silva, também acompanharam a apuração ao lado de Lula.

O Brasil que queremos
Lula afirmou que a disputa passa a ter uma dinâmica diferente, com apenas dois candidatos e mais espaço para comparar propostas e trajetórias. “A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha, uma campanha que apenas entre dois candidatos a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”.
Nesse confronto, o presidente pretende apresentar tanto as realizações de seus governos quanto os compromissos para um novo mandato. Ele contrapôs a experiência de sua chapa com Alckmin às incertezas que, segundo sua avaliação, uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria para o futuro do país.
“A gente vai mostrar o que foi feito e o que a sociedade espera que seja feito. E ninguém mais do que nós pode oferecer à sociedade brasileira um futuro”, afirmou.
A educação ocupou lugar central nessa agenda. Lula reafirmou os compromissos de universalizar o Pé-de-Meia, ampliar a escola em tempo integral e continuar investindo em universidades, institutos federais, pesquisa e tecnologia. “Vamos universalizar o Pé de Meia para garantir que nenhum jovem desista do ensino médio nesse país”.
O presidente também destacou o fortalecimento do SUS, da Farmácia Popular e da indústria nacional de medicamentos, além da continuidade dos investimentos no desenvolvimento científico e tecnológico. Para ele, ampliar a capacidade produtiva do Brasil deve caminhar junto com a garantia de assistência e oportunidades à população.
Mobilização para levar mais brasileiros às urnas
Outra prioridade anunciada foi conversar com quem deixou de votar no primeiro turno. Lula disse que fará um apelo para ampliar a participação dos brasileiros na decisão sobre o futuro do país.
“Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que nesse momento histórico do Brasil o voto é necessário para a gente definir o futuro desse país”, afirmou.
O presidente encerrou a manifestação reforçando a disposição de mobilizar a sociedade. “Estaremos na rua para que a gente possa derrotar o negacionismo neste país”.
Energia total pra falar do futuro, diz Alckmin
Alckmin disse que é preciso mostrar quem pode fazer mais para a saúde, se os negacionistas que causam a morte de brasileiros na pandemia de covid-19, ou Lula, que defende a vida e o acesso das pessoas, com melhorias no SUS. Quem pode fazer mais pela educação: os que defendem homeschooling e uma proposta racista e excludente, ou Lula, que fez creches, vai fazer a escola em tempo integral, Pé-de-Meia, institutos federais?, indagou o vice.
“Quem pode salvar a democracia? O presidente Lula não tem como ídolo o coronel Ustra.”
Alckmin afirmou, ainda, que “o segundo turno é nova eleição”. “Vamos conversar com todas as pessoas. Com aqueles que votaram em todos os outros candidatos, até no adversário, para reverter esses votos. À vitória”, disse o vice, animado.
Solidariedade a Haddad, Marina e Simone
Lula também dirigiu uma mensagem a Fernando Haddad, derrotado na disputa pelo governo paulista, e às candidatas ao Senado e ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que não foram eleitas.
Para o presidente, São Paulo perdeu a oportunidade de contar com representantes comprometidos com a educação, o enfrentamento da crise climática e a inclusão social.
“Haddad, não foi você que perdeu a eleição, quem perdeu foi o povo de São Paulo”, declarou.
Sobre as candidatas ao Senado, o presidente destacou a projeção internacional de Marina na pauta ambiental e o compromisso de Simone com uma produção agropecuária associada à inclusão social. Embora tenha lamentado o resultado, reafirmou o respeito à decisão das urnas.
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