Discutindo o modelo de desenvolvimento

28/05/2009 Discutindo o modelo de desenvolvimento

Faz pouco tempo que o presidente do PT-Ce, Ilario Marques levantou a necessidade de se debater o modelo de desenvolvimento proposto para o Ceará pelo Governo do Estado, levando-se em conta que a gestão neoliberal mostrou-se mundialmente fracassada, diante até mesmo da atual crise financeira internacional, aumentando as diferenças de desenvolvimento inter regionais, abrupta acumulação de capital e pouca capacidade de gerar inclusão social. O lado Peessedebista do governo prioriza investimentos públicos (por que não privados?) em projetos grandiosos (Pavilhão de Feiras e o Aquário do Ceará), com a velha cantilena que o aumento do fluxo turístico irá gerar muita riqueza, guardando ainda um ilusório sentimento de falso desenvolvimento (acumulativo), maquiado por propostas de crescimento econômico.
Há que se fazer o contra-ponto. Neste quesito pergunta-se: Que esforço de tempo, idéias e investimento gasta a Setur(secretaria de turismo) na formatação de um outro turismo, mais solidário, que seja capaz de produzir uma verdadeira transformação social? Em oportuna entrevista a televisão a prefeita Luizianne Lins não se posicionou contra o projeto, mas diante de sua sensibilidade social sugeriu apenas que o mesmo fosse localizado numa área mais deprimida (Pirambu?) e que o projeto tivesse um maior impacto de requalificação territorial, promoção econômica e inclusão social. Na Praia de Iracema, o oceanário causará uma explosão demográfica de turistas, um milhão e 200 mil/ano, além do atual superfluxo que já tem o lugar(qualquer laudo técnico demonstra que a área não tem capacidade de carga). Por que não captar e distribuir esta demanda e estes recursos de forma mais harmônica para os bairros, criando-se os distritos turísticos temáticos de Fortaleza: Morro Santa Terezinha(Vicente Pinzon), Pici(II Guerra Mundial), Messejana(Jose de Alencar), Barra (Nova Lisboa-PeroCoelho), Castelão (Jardim Zoobotânico da PMF), Centro(Cidade Histórica), etc… Este investimento descentralizado oportunizaria a turistificacão da cidade e não apenas de um nódulo já extremamente turistificado. O fortalecimento da cadeia produtiva surtiria um efeito social extremamente significativo se ele fosse realizado nas áreas de entorno e nos segmentos econômicos mais fragilizados e de uma forma mais pulverizadas, com o propósito de elevar o nível e a qualidade produtiva no macro universo, causando conseqüentemente uma inclusão social direta e não como resultado do efeito multiplicador do turismo na economia. Nos moldes propostos pelo Estado o investimento se coaduna perfeitamente como a teoria metodológica Delfiniana “de vamos fazer crescer muito o bolo para depois repartir”, mas há anos que este bolo é aumentado diante do olhar faminto das classes excluídas que esperam infinitamente as promessas neoliberais de banição da pobreza e da miséria que somente esta diminuindo diante das políticas sociais do governo Lula, pois as políticas desenvolvimentistas de concentração de investimentos nunca causaram impactos rápidos e diretos na diminuição dos baixos indicadores sociais do estado e do pais.
 Ilario Marques levanta a voz de uma crítica construtiva e chama a todos para uma reflexão, com os melhores dos propósitos e o fito de ajudar a sua terra, a sua gente e engrandecer o PT pelo debate, pela democracia e pelos valores da inteligência, demonstrando profunda honestidade, grandiosidade de espírito, num questionamento nobre que tanto falta a maioria dos políticos na atualidade.

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