Congresso conservador
O Brasil viveu um dos mais importantes fenômenos sociais em junho deste ano. As manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas em todas as regiões do País pediam educação de qualidade, saúde pública eficiente, transporte coletivo como prioridade, reforma política e tantas outras reivindicações. Em resumo, o que se pedia era uma reestruturação do comportamento político dos representantes, no Executivo e no Legislativo, e mais celeridade da nossa justiça.
O movimento não foi em vão. A pressão popular trouxe resultados práticos. A presidenta Dilma Rousseff ouviu o grito do brasileiro que ecoou nas ruas. Imediatamente, ela anunciou em rede nacional diversas ações que estavam ao seu alcance para melhorar os serviços públicos. Matéria de sua autoria que destina os royalties do petróleo para a educação e para a saúde foi aprovada. Entretanto, o Congresso Nacional não teve a mesma sensibilidade e sua formação conservadora acabou barrando inúmeros avanços. O plebiscito que a presidenta Dilma tentou emplacar para que a sociedade decidisse de forma direta sobre a reforma política não foi adiante. A população, mais uma vez, ficou à margem das decisões importantes que envolvem seu cotidiano. Em vez de uma ampla consulta popular, o que se viu foi a aprovação de uma minirreforma que não atacou nenhum problema vital no desacreditado sistema político-eleitoral.
A partir dessa pressão da sociedade, já há um consenso no Congresso em extinguir as votações secretas para cassação de mandatos. No entanto, a maioria conservadora quer manter o voto sigiloso para a escolha de autoridades, vetos presidenciais e eleição da mesa diretora. Enquanto isso, os brasileiros clamam por total transparência em todas as votações. Sendo representantes do povo, temos de dar esta resposta concreta. Outra consequência dessa formação conservadora foi a aprovação do Orçamento Impositivo.
É preciso defender o Legislativo enquanto instituição, ele é essencial para o equilíbrio entre os poderes e importante para o debate de questões essenciais ao País. A descrença na política, entretanto, está nos representantes que não respondem à altura as reivindicações populares. Em 2014, os brasileiros terão mais uma chance, nas urnas, de mudar esse cenário político. Será a hora de fazer valer o parágrafo único do artigo primeiro da Constituição: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Para isso, é necessário votar de forma consciente e em representantes que querem avanços para a sociedade.
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