Com Dilma por um Brasil inteligente
Prefiro me retratar aos olhares fraternos e solidários que se movimentaram com cuidado buscando interpretar, avaliar e diagnosticar o sensível tecido social e cultural que dá forma e perfil ao povo brasileiro.
Olhares cuidadosos, críticos e principalmente divergentes das visões de uso fruto e de usura que se manifestaram ao longo de séculos, a partir da presença invasora de saqueadores oriundos de regiões devastadas pela cobiça e pelo peso das ideias atrasadas e criminosas desferidas contra a própria humanidade.
Imagino que um debate político tenha a condição de suscitar temas e questões relacionadas aos grandes dilemas que as comunidades enfrentam e assim contribuir para elucidar a realidade de cada indivíduo num contexto coletivo.
A candidatura de Dilma Rousself, para além da obviedade de ser uma mulher concorrendo ao cargo mais importante da República brasileira, representa o seu acúmulo político pessoal, e da
coletividade que compõe o Partido dos Trabalhadores.
Uma gestora experiente e comprometida com o projeto de transformações profundas para o Brasil.
Sabedora do caminho tortuoso e desafiador que nós Brasileiros enfrentamos para garantir desde as mais pequenas e tímidas mudanças a um pacote mais robusto, envolvendo quebra de paradigmas que impactam nos costumes e práticas arraigadas ao longo dos últimos séculos.
Uma mulher no local e na hora certa para garantir não só a oralidade, mas as impressões de quem sempre esteve cercada dos muros invisíveis do preconceito e da descriminação.
Dessa forma, a capacidade de compreender que a forma de fazer política representada pela candidatura de José Serra (PSDB) – financiamento do grande capital nacional e estrangeiro, privatizações das empresas estatais e concentração de renda que, durante séculos excluiu a maioria dos brasileiros da cena política – está definitivamente em xeque, vai muito além da publicização de conteúdos programáticos e de um plano de governo.
Nessa terra Brasilis, mesmo as mulheres encampando bravas lutas em campos diferentes, tais como a intelectualidade, a politica ou a cultura, o abismo ainda continua sendo abissal. Os espaços de poder e de maior comando permanecem ainda ocupados por homens: uma relação direta da construção histórica das relações de gênero na nossa sociedade.
Por outro lado, a reação da aliança conservadora encabeçada pelos hominídeos do PSDB e seus aliados, diante do resultado do primeiro turno, reforça as teses que negam, que desvalorizam,
sabotam, caluniam, satanizam e vulgarizam a figura da mulher.
A desenvoltura de Dilma Rousself, reforço, foi fruto do acúmulo de debates preciosos realizados tanto nas instâncias internas do PT, quanto em outros meios da sociedade civil brasileira. Assim, se em princípio sua escolha atendeu à simbologia de termos uma mulher no comando da continuidade das conquistas do governo Lula, sua história na gestão pública, não só enriqueceu essa simbologia como pautou uma agenda voltada para realização de iniciativas e ações na execução de politicas publicas que tendem a aprofundar a participação e a democracia na Republica brasileira.
A história de vida de Dilma tem forte apelo no despertar da consciência feminista no setor da classe média brasileira. Seu engajamento no movimento estudantil, assim como, sua dedicação em trilhar sua formação superior. Com a alma de mulher mineira nascida em Belo Horizonte, conterrânea de Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado, Milton Nascimento, Beto Guedes, entre tantas outras mentes que enriqueceram a nossa leitura do mundo e da humanidade.
Nesse ambiente lúdico, intelectualizado e de uma geografia extraordinária, Dilma aprendeu muito cedo a sonhar e iluminar o caminho dos que a cercavam com uma luz rara emanada de olhos de quem enxerga o horizonte como um lugar para todos.
Do casamento uma cria, uma filha, depois uma neta e a luta de uma vida inteira em defesa da vida, de dias melhores estampados em um coração valente e repleto de esperança.
Não é atoa que Dilma é a preferida do povo nessas eleições. Por ser reconhecida como uma mulher dedicada ao combate a pobreza, por acreditar que é possível garantir políticas de transferência de renda, defender o patrimônio publico, moradia com dignidade, igualdade racial, educação transformadora, soberania como um bem do povo, o desenvolvimento amparado pela sustentabilidade dos meios e do ambiente: ecologia humana. Educação e cultura como um direito de cada um para a busca do crescimento intelectual e humano.
As eleições do 2° turno acontecem numa conjuntura muito delicada em todos os continentes: as comoções que circundam a América Latina no que diz respeito a guerra do narcotráfico e as
consequências que se manifestam sobre a sociedade e as estruturas de governo; Há uma inquietação em boa parte da Europa, por conta da crise econômica que se mostra, a cada dia, ser a mais complexa da história do capitalismo, destaco os levantes da população francesa que se contrapõe às medidas que comungam com o receituário neoliberal difundido na velha e nova Europa. A mortalha neoliberal ainda tremula fortemente nos nossos quintais.
Por tudo isso digo e repito “estou com Dilma!” porque ela reconhece a importância da solidariedade, do respeito, da cultura de paz, a tolerância pelas diferenças e por que ela representa a força da mulher brasileira.
Íris Tavares
Historiadora
Membro do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores do Ceará
Compartilhe