Campanha petista vai propor ampliação dos serviços públicos

21/09/2009 Campanha petista vai propor ampliação dos serviços públicos

Em síntese, para o partido e para sua pré-candidata à Presidência as palavras de ordem parecem ser a continuidade do processo de desenvolvimento econômico e social; e a melhoria dos serviços prestados pelo Estado.
De acordo com resolução divulgada na quinta-feira, o programa de governo deverá incluir propostas para “um desenvolvimento vigoroso e sustentável, com ampliação dos direitos do trabalho, mais distribuição de renda, de propriedade e de poder político, vinculado a parâmetros que garantam a sustentabilidade ambiental, a ampliação e qualificação da educação, saúde, justiça, direitos humanos.”
Pelo cronograma petista, o “primeiro desenho” do programa será esboçado entre o fim de outubro, quando o partido se reunirá com movimentos sociais para articular uma agenda comum, e o início de fevereiro, quando ocorrerá seu IV Congresso Nacional. Segundo o comando do PT, o futuro programa de governo será construído “em diálogo com os quadros petistas e aliados no governo, no Congresso e na sociedade”.
 Leia, a seguir, as principais declarações da ministra Dilma Rousseff à Folha de São Paulo:
 Sobre o intervencionismo do Estado.

”Tinha gente torcendo para ficarmos de braços cruzados na crise. Diziam: “o governo Lula sempre deu certo, mas nunca enfrentou uma crise internacional”. Apareceu a maior crise dos últimos tempos, que estamos superando. Eu acho que quem defendia que o mercado solucionava tudo, o mercado provê, é capaz de legislar e garantir, está contra a corrente e contra a realidade. O que se viu no mundo nos últimos tempos é que a tese do Estado mínimo é uma tese falida, ninguém aplica, só os tupiniquins. Nós somos extremamente a favor do Estado que induz o crescimento, o desenvolvimento, que planeja.”
 “(…) Os que apostam e ficam numa discussão, que, além de enfadonha, é estéril, de que há uma oposição entre iniciativa privada e governo, gostam de discussão fundamentalista. É primário ficar nessa discussão de que o governo, para não ser chamado de intervencionista, seja um governo omisso, de braços cruzados, que não se interessa por resolver as questões da pobreza nem do desenvolvimento econômico.”
 Sobre as acusações ao governo
”As acusações são: eleitoreiro, estatizante, intervencionista e nacionalista. Tem algumas que a gente aceita. Nacionalista a gente aceita. Esse país não pode ter vergonha mais de ser patriota. Eu não vi um americano ter vergonha de ser patriota, nunca vi um francês. Que história é essa de nacionalista ser xingamento?”
”Se (estatizante) é o aumento da capacidade de planejar o país, de ter parcerias com o setor privado, de o Estado ter se tornado o indutor do desenvolvimento, concordo.”
“Não somos (intervencionistas). (…) Eu acho interessante essa história: os empresários podem falar o que quiserem, que é democrático; o presidente não pode dar uma opiniãozinha que é intervencionista. Isso, diríamos assim, não é justo.”
“Não (somos eleitoreiros). Sabemos que quem não tem projeto vai achar tudo eleitoreiro.”
 Sobre os pontos positivos que o governo pode apresentar na campanha
”Eu acho que três, que vamos deixar de legado: crescimento econômico, inflação sob controle e o fato de termos elevado à classe média milhões de brasileiros. Outro dia, o último dado dava quase 25 milhões de pessoas. Criamos uma rede de proteção para os mais pobres, fizemos uma transformação da educação básica. Tem ainda a questão das escolas técnicas, esse orgulho do presidente de ser quem mais criou universidades no Brasil. O JK criou 10, ele criou 11.
 “Tem mais três no Congresso. Tem o PAC. E tem mais uma coisa, a questão da nossa soberania, o fato de termos sido capazes, mantendo a nossa soberania, de ter uma política externa de diversificação de parceiros. O Brasil acabou com a submissão que tínhamos aos Estados Unidos, à Europa, e passou a ser um player internacional. E o presidente fez isso magistralmente. Essas coisas produzem, no Brasil e no governo, a respeitabilidade internacional. Eu acho que essa autoestima nós conseguimos passar para a população. Hoje nós não temos mais aquilo que o Nelson Rodrigues chamava de complexo de vira-latas. Eu acho que o Brasil mudou. E acho que as pessoas sabem disso.”
Sobre a importância dos programas do governo para a eleição do sucessor
“Eu acho que o presidente Lula tem um governo que não é só economia. É, como eu disse, o social, o nacional e o internacional. Então, acho que, pelo menos, nós deixamos um grande legado.”
 “Acho que a questão do pré-sal é uma marca inequívoca nossa. Eu acho que nossas intervenções foram todas estruturantes para o país. O que eu estou querendo dizer é o seguinte: esse governo pode ou não fazer seu sucessor, eu pessoalmente espero que ele faça, agora inequivocamente ele mudou o Brasil, o de 2010 não tem nenhuma similaridade com o de 2002. Nem nas expectativas das pessoas, nos sonhos das pessoas, no que as pessoas acham que é possível ter. Até isso eu acho que é importantíssimo, nós elevamos o que as pessoas podem sonhar. Nós aumentamos as possibilidades de sonhos. Então o maior legado é essa imensa esperança de hoje que esse povo tem. (…) É a continuidade disso que importa.”
“Eu acho que nós temos uma grande tarefa daqui para a frente. O presidente sempre fala nisso: a questão da melhoria do Estado brasileiro. Esse negócio de transformar, de criar o Estado mínimo, é uma coisa muito ineficiente. Nós tivemos, depois da década de 80, um processo de desmantelamento da máquina pública, o que implicou perda de capacidade e de engenharia.”
 Sobre os pontos negativos do governo
”Ah, se a gente tivesse mais um prazinho fazia. A gente sempre pode melhorar tudo.”
Fonte: www.brasiliaconfidencial.inf.br

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