Campanha da Fraternidade

16/01/2009 Campanha da Fraternidade

Esta é uma das principais pautas de discussão sobre os problemas das cidades brasileiras, porque atinge diretamente o cidadão, que convive diariamente com a insegurança que vem crescendo, mais intensamente, nas duas últimas décadas. Essa insegurança tem modificado hábitos, comportamentos, e, principalmente, tem exigido do governo a execução de medidas concretas para dar cabo aos atos violentos em nossa sociedade.

A insegurança não é apenas uma sensação psicológica. Além de ser motivada pelo acesso às informações sobre os mais variados tipos de atos de violência, é reforçada pelo reflexo da violência cometida diretamente contra nós.

Quem já não foi vítima da violência social? O adolescente que rouba para se drogar e, para tanto, se arma, é tão protagonista da ação quanto vítima da exclusão social. É contra esse quadro, da marginalização de crianças, jovens e adultos, que precisamos unir esforços.

É perceptível que somente a otimização do serviço prestado pelos órgãos de repressão da violência não é o suficiente para devolver à população a sensação real de segurança. É claro que é de sumária importância que esses órgãos estejam bem preparados e municiados para tal função. Mas, outras aspectos, mais ligados às desigualdades sociais, devem ser levados em consideração para o combate à violência.

A CNBB chegou ao tema da segurança pública depois da apresentação de um abaixo-assinado com 20 mil assinaturas, feito pela Pastoral Carcerária, depois dos ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, em maio do ano passado. O documento traz 37 sugestões para diminuição da violência no País. Dentre elas, a aplicação da Lei Seca, que obriga os bares a fecharem mais cedo; turno integral e a abertura nos fins de semana das escolas públicas; a construção de presídios próximos da comunidade local e da família do preso; o combate a sites que incitam violência, dentre outras.

Outra sugestão é a proposta de terapias comunitárias para desempregados e vítimas de agressão familiar, projeto que já existe em Fortaleza. A Terapia Comunitária e suas ações complementares foram adotadas como política pública em Fortaleza, com a gestão da prefeita Luizianne Lins, vinculando-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Saúde da Família e da Rede Assistencial de Saúde Mental.

A meta é construir uma oca de saúde comunitária na área de cada Secretaria Executiva Regional da Capital. Três ocas de saúde comunitária já funcionam nos bairros São Cristóvão, Pirambu e Granja Portugal. Na oca, os moradores e comunidades adjacentes contam, gratuitamente, com serviços de massoterapia, grupos de resgate de auto-estima e terapias comunitárias.

As medidas apresentadas pelo documento da CNBB devem ser aprovados em encontro com especialistas da área de segurança, teólogos e membros da CNBB, que será realizado em setembro deste ano, em Brasília. Todos devem apoiar tal iniciativa e, buscar, individual ou coletivamente, contribuir para a diminuição da violência, cobrando do poder público ações efetivas e combatendo focos de violência no lar, na vizinhança, na comunidade.

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