Acampamento de Fortaleza: sete dias de luta por Lula, pela Democracia e pelo povo
18/04/2018
Conforme as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, organizadoras da iniciativa, cerca de 50 mil pessoas passaram pelo local entre a instalação no dia 11 e o encerramento na noite de ontem, 17 de abril.
O espaço foi palco de atos, vigílias, ações culturais, debates, místicas, shows e muitas outras ações que movimentaram o Centro de Fortaleza e que chamaram a atenção dos frequentadores da área comercial da capital e da opinião pública para necessidade do debate social sobre a prisão arbitrária e sem provas do ex-presidente Lula, no dia sete de abril.

“Esse acampamento sem dúvida se configura como um processo político, pedagógico, de construção de unidade, de organicidade e de solidariedade entre os diversos movimentos que integram as frentes. Um processo onde foi possível integrar o conjunto das lutas”, destacou Ticiana Studart, da Marcha Mundial das Mulheres, uma das responsáveis pela programação do movimento de ocupação.
A unidade que possibilitou o sucesso da empreitada também foi celebrada por Sérgio Farias, do MTST, que afirmou: “temos que ir além da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, temos que chamar outros lutadores do campo democrático para estar prontos e de guarda levantada. Essa ameaça não é somente a Lula e ao PT, é uma ameaça a qualquer pessoa que venha ganhar a eleição”.
Já Wil Pereira, presidente da CUT Ceará, parabenizou quem deu o sangue, quem dormiu debaixo de chuva, quem enfrentou o sol e resistiu nestes dias de acampamento em Fortaleza. O dirigente destacou ainda as próximas tarefas do processo de luta: “Este foi um dos três acampamentos que apontou para o país uma resistência. Esse acampamento ficará agora em andamento nos bairros e no interior do Estado. Temos agora que fazer um primeiro de maio histórico, sobretudo em defesa do Lula em defesa das nossas bandeiras. De revogar a reforma trabalhista que tanto tirou do trabalhador e não deixar vir para a pauta a reforma da previdência”.

Dois anos do Golpe de 2016
Na última atividade da jornada de luta no local, 10 mil homens e mulheres, de diferentes cores, etnias, classes, origens geográficas, religiões, idades, orientações sexuais, jovens e velhos, militantes e simpatizantes da causa, participaram de mobilização que “descomemorou” a efeméride de dois anos do golpe contra Dilma Rousseff (PT), registrado no fatídico 17 de abril de 2016.
Na avaliação das lideranças sociais, partidárias e sindicais presentes, como resultado do impeachment fraudulento, foi organizado um verdadeiro desmonte do Estado Democrático de Direitos, com a eliminação das liberdades políticas da esquerda, com o ataque aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários da classe trabalhadora e com o desenvolvimento de um projeto fascista de país.
“Foi um golpe articulado pelos poderosos, pelo imperialismo norte-americano, por parte da elite brasileira, os banqueiros e os donos dos meios de comunicação, tendo a frente a Rede Globo e o grande capital financeiro, setores do estado e do poder judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. Foi um consórcio para tirar uma presidenta eleita democraticamente pelo povo”, explicou o presidente do diretório estadual do PCdoB, Luís Carlos Paes.
Na mesma linha, De Assis Diniz, presidente do PT Ceará, define que a possibilidade de Lula voltar a ser presidente do país ameaça a sanha golpista que se registra até agora. Portanto, faz parte do projeto da burguesia nacional eliminar o líder político mais popular e mais bem avaliado da história do país. “Foi uma semana intensa e cheia de simbolismos. Nós saímos hoje do acampamento físico para um acampamento móvel com uma agenda de mobilização da luta e tendo como referência o próximo período de defesa da democracia. A pauta fundamental é não eleger nenhum candidato que tenha sido golpista”, discursou.
Para Miguel Braz, do Levante Popular da Juventude, e Vanda Solto, do PSol Ceará, é imperativo continuar a denúncia de que eleição sem Lula é fraude. “Rebeldia para dialogar com a população de Fortaleza sobre a ilegalidade da prisão do ex-presidente Lula e também para nos colocar em solidariedade ao companheiro”, disse Miguel. “Nós do PSol temos candidato a presidência, mas isso não significa nós não estamos na rua se juntando as frentes e aos partidos de esquerda em defesa da democracia do Brasil, explicando pro povo que Lula é sim um preso político”, finaliza Vanda Solto.
Saiba mais:
Números do Acampamento Lula Livre Fortaleza
5 Aulas públicas realizadas
10 Oficinas realizadas
Dezenas de apresentações artísticas
105 mil litros de água utilizados doados para banho e alimentação
3.500kg de alimentos doados
70 artistas se apresentaram
70 artistas se apresentaram
Público total de 50 mil pessoas, entre fixos e rotativos
Participação de quatro partidos políticos: PSOL, PT, PCdoB e PCO
Participação de 25 entidades: MAB, MST, Levante Popular, Núcleo Popular, JPT, UJS, Para Todos, Consulta Popular, MTD, MTST, UBM, RUA, Intersindical, MMM (Marcha Mundial das Mulheres), Mulheres com Dilma, PCdoB, PT, Juristas pela Democracia, Rede de Medicos/as Populares, CUT, CTB, PSOL, Fetamce, Comunicadores pela Democracia, Kizomba, Síndicato dos bancários e Fetraece
Coordenação de duas Frentes: Brasil Popular e Povo Sem Medo
Escrito por: Raquel Chaves (CUT-CE)/ Rafael Mesquita (Fetamce) e Polianna Uchoa (PT-Ceará)
Colaboraram: Camila Garcia/Brasil de Fato – Ceará / Isabelle Azevedo (Marcha Mundial das Mulheres) / Mércia Vieira(MAB-CE)
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