A história do nosso desordenamento urbano

15/04/2013 A história do nosso desordenamento urbano

Nas comemorações de 287 anos, é indispensável que relembremos alguns fatos para que possamos entender a lógica de um crescimento desordenado e a necessidade de mobilização para revertê-la. A História mostra que o nosso povo, quando organizado, modifica realidades constituídas. É só recordar que os índios expulsaram os holandeses em 1644 da Barra do Ceará e que uma revolta popular derrubou a família Accioly em 1912. Planejar o futuro só é possível analisando o passado.

 
Fortaleza foi elevada à condição de vila em 1726. No entanto, foi na metade do século XIX que a capital cearense tornou-se o principal núcleo urbano, político e social do nosso Estado. Em 1875 – um século e meio depois -, o engenheiro pernambucano Adolfo Herbster traçou um plano urbanístico para disciplinar a expansão da cidade.
 
Na década de 1930, o desordenamento urbano foi ficando mais sério e a planta de Adolfo Herbster tornou-se obsoleta. Umas das decisões mais prejudiciais para a História de Fortaleza deu-se em 1933, quando as elites e as autoridades colocaram-se contra o plano de urbanização do engenheiro paraibano Nestor de Figueiredo. Há pelos menos 80 anos alguns dos problemas da nossa cidade dos dias de hoje poderiam ter tido alguma solução.
 
Tentativas frustradas também em 1952, com o Plano Diretor para Remodelação e Extensão de Fortaleza (de autoria de José Otacílio de Sabóia Ribeiro), e em 1962, com planejamento realizado pelo carioca Hélio Modesto. A cidade foi ficando pequena. Para se ter uma ideia, em 1950 Fortaleza tinha 270 mil habitantes. Em 1960, o número pulou para 518 mil. Em 1970, 857 mil. Hoje são cerca de 2,5 milhões de pessoas.
 
Atualmente vemos uma tentativa de implantar um Plano Diretor em nossa desordenada capital. Em 2013 e nos próximos anos, temos o desafio de melhorar a mobilidade urbana e preservar as áreas verdes da cidade. Não podemos permitir que a especulação imobiliária e os interesses de grandes grupos econômicos ditem as regras desse ordenamento.
 
O crescimento urbano desorganizado da nossa capital tem sido a bandeira de luta de diversos movimentos sociais nos dias de hoje. De fato, é preciso cobrar dos poderes constituídos soluções eficazes para que as gerações vindouras vejam a nossa geração como aquela que mudou a lógica histórica de desordenamento urbano. Este é o melhor presente que podemos dar a Fortaleza nestes 287 anos.

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