A difícil e encantadora arte de educar

19/10/2007 A difícil e encantadora arte de educar

Avançamos no domínio do conhecimento técnico cientifico, e hoje essas tecnologias possibilitam novos espaços de sociabilização. A partir desses espaços surgem novas configurações de saberes e capacidades que não estavam presentes na nossa sociedade. Assim, torna-se imperativo que o próprio ato de ensinar incorpore essas novas linguagens e ferramentas, possibilitando o amplo desenvolvimento do homem contemporâneo.

Por esses e outros motivos o papel do professor vem mudando. Mudando não só na tarefa de ensinar, de conduzir processos de aprendizagem, mas o próprio conceito de educar vem sofrendo intensas transformações ao longo do tempo, incorporando novas exigências e capacidades.

Além do exercício constante de interpretar e reinterpretar a realidade, que hoje se torna excessivamente dinâmica; além da necessidade de um processo de formação continuada, que permita ao professor adquirir cotidianamente novos saberes; há ainda outros fatores que atravancam uma outra educação possível.

Infelizmente ainda nos deparamos com a progressiva deterioração do espaço escolar, com a desvalorização da profissão de professor, com a insatisfação desses profissionais em relação aos baixos salários, a crescente onda de violência dentro e fora das escolas, com a falta de integração entre os espaços sociais (domiciliar, escolar, cultural, esportivo…).

É nesse contexto que está inserido o professor, sobrecarregado com tarefas nada simples, em meio a uma realidade extremamente complexa.

É por isso que saúdo os professores e professoras, guerreiros e ao mesmo tempo sonhadores que, apesar de tudo, seguem acreditando e não perdem a esperança, movidos por convicções e certezas:

• De estarem contribuindo para construção de seres humanos melhores;
• De que podem apreender e ensinar, trocando saberes com seus alunos;
• Na busca diária de superar desafios e alterar a realidade;
• De que mediando processos educativos, constroem, socializam o saber, transmitem valores de cidadania, respeito, justiça e democracia.
• De que não se pode falar de educação sem amor e sem diálogo;
• De contribuir na busca da autonomia das crianças e dos jovens para serem sujeitos dos seus próprios processos.
• De se encantar com o novo, ensinar a ler o mundo, educar o olhar para o belo, como se sempre olhassem não pela última vez, mas pela primeira;
• De acreditar em uma outra educação possível, voltada para a inclusão e para a valorização da cultura e dos diversos saberes;
• De não perder a oportunidade de se renovar todo dia no contato com as crianças e os jovens;
• De que ensinar as crianças e os jovens a pensar, a comunicar esses pensamentos, a pesquisar, a ter raciocínio lógico, a fazer sínteses e elaborações teóricas, a organizar o seu próprio trabalho e a ter disciplina, vai torná-los independentes e autônomos.

Como disse Moacir Gadoti “Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores”.

Parabéns aos nossos professores e professoras, que fazem fluir o saber e que contribuem para a construção de um mundo mais justo, humano e saudável.

Para Paulo Freire, “ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. Para mim, vocês são imprescindíveis.

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