A consciência negra do brasileiro
Esse é o retrato do País. Um lugar onde os diferentes se encontram e se identificam. Pelo menos esse deve ser o pensamento de todos os brasileiros.
A nossa população é uma só. As etnias devem se unir em pensamento, mas não se apartar dos demais cidadãos em nacionalidade. Cada um deve assumir a sua personalidade, sua cor, credo, opção sexual e se esforçar em ver reconhecido seu direito de ser o que verdadeiramente é.
Felizmente, tal sentimento de identidade e cidadania tem fluído melhor entre a população negra brasileira. Pesquisa recente do IPEA ratifica que, cada vez mais, negros e pardos tem admitido ser negros e pardos. Entre 1995 e 2006, o peso relativo da população auto-declarada parda ou negra subiu de 45% para 49,5% da população total.
O relatório aponta ainda que os negros cheguem a ser maioria nos próximos anos. Já os brancos deixaram de ser a maioria absoluta, fato que havia sido registrado pela última vez no censo de 1890, que registrava um percentual de brancos de 35%. Já no período de 1995 a 2006, o índice de pessoas que se dizem brancas caiu de 55,4% para 49,7%.
Não que a população de negros e pardos tenha aumentado realmente em quantidade. É que a auto-estima do brasileiro tem crescido o suficiente para ele ter felicidade em se afirmar tal como é, porque a sociedade o aceita, o acolhe, o estimula, o protege. Conseqüência das políticas públicas de valorização desse segmento, dos debates sobre a questão racial, da presença maciça dos negros na mídia, na política, no judiciário, e agora, na presidência dos Estados Unidos.
Finalmente, podemos sentir o bom resultado do reconhecimento do papel da população negra na história sócio-política do Brasil. Esse reconhecimento devolveu a auto-estima ao negro, usurpada tempos atrás, quando foi rebaixado à condição de mercadoria, quando foi desumanizado erroneamente. Outros e passados tempos. No entanto, ainda vivos em muitas situações de preconceito racial ainda arraigado em nossa sociedade.
A auto-estima agora duela com a discriminação numa rivalidade desigual. Mesmo inafiançável, o crime de racismo é praticado no Brasil por quem não respeita a diferença. O desrespeito deve ser banido e combatido incansavelmente. E somente a consciência negra, parda, índia, branca, enfim, cidadã, fará desaparecer o preconceito étnico-racial.
Arthur Bruno, Deputado Estadual (PT – Ceará)
Fonte: Jornal O Estado, 21.11.08
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