DE ASSIS DINIZ: 1º DE MAIO DEVE SER UM MOMENTO DE REFLEXÃO PARA TODA A ESQUERDA

28/04/2015 DE ASSIS DINIZ: 1º DE MAIO DEVE SER UM MOMENTO DE REFLEXÃO PARA TODA A ESQUERDA

O presidente do PT Ceará, Fco. de Assis Diniz, considera que este 1º de Maio deve ser um momento de reflexão para toda a esquerda brasileira. Ele está preocupado com os ataques que o partido vem sofrendo e afirma que um fracasso do governo Dilma seria uma derrota do projeto das esquerda. Ele deu entrevista ao Ceará 247 falando sobre estes e outros temas

Ceará 247 – Como o PT está articulando sua participação nos atos públicos do 1º de maio? FAD – O PT está se articulando com as centrais sindicais, com os movimentos sociais e populares para ser apoio no sentido de construir uma ampla mobilização, tendo como centro do debate a defesa das conquistas sociais e dos direitos dos trabalhadores, principalmente contra o PL 4330. Estamos convocando todos aqueles e aquelas que tenham compromisso, para ir às ruas e transformar o 1º de maio como um momento de reflexão para toda a esquerda brasileira.

Ceará 247 – O governo da Presidente Dilma Rousseff tem recebido críticas não só dos setores conservadores, mas também, de setores da esquerda.
FAD
– A crítica faz parte do debate político. O que não é razoável é que se tenha na crítica, a busca da ilegalidade, como por exemplo o patrocínio de quebra do mandato legítimo conquistado pela presidente, a busca de uma intervenção militar. Não é razoável defender a quebra da democracia. O que nós compreendemos e temos que nesse momento buscar, e aí é importante contar com a compreensão da esquerda, é que não adianta buscar se diferenciar em palavras de ordem ou em questões pontuais. Se o governo de esquerda da presidente Dilma fracassar, o fracasso é do projeto de esquerda. O governo do PT tem sido referência no mundo e em particular a América Latina, influenciando os países a terem uma postura e um caminho mais à esquerda. Cabe a nós recepcionar a crítica mas é fundamental unificarmos na nossa pluralidade.Temos divergências mas temos que ter capacidade de unificar e termos uma ação comum.

Ceará 247 – Nos últimos dias a mídia tem reverberado o fim do PT em matérias e artigos. Até o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, deu declaração nesse sentido. Como o PT recebe essas avaliações?
FAD
– A manifestação de Carlos Lupi é algo deplorável. Primeiro porque ele ainda está no governo. Segundo, se tem algo a ser questionado são os desvios e o seu desempenho pífio no Ministério do Trabalho. Portanto ele não tem autoridade moral e ética para falar dos governos que ele integrou e que teve péssima participação no que diz respeito a resultados. O projeto do PT é um projeto de nação. É um projeto que busca construir para o Brasil um país fraterno, um Brasil solidário um Brasil sem diferenças regionais, que tenha o povo incluído e que a sua cidadania seja o centro de toda e qualquer construção e ação. O projeto do PT é um projeto de longo prazo para fortalecer e desenvolver a cidadania. Incluir as pessoas no acesso aos bens primários e propiciar qualidade dos serviços públicos. Por outro lado, no seu próximo congresso, marcado para junho, o PT precisa fazer um amplo debate e construir uma outra narrativa que não seja aquela apresentada pelos meios de comunicação tradicionais. O PT tem que aprender a se comunicar melhor com a sociedade e apresentar concretamente, para esquerda e para a conjunto da sociedade brasileira um projeto de nação. É preciso estabelecer uma relação direta que apresente a sua pauta, articulada com a agenda do Brasil, para o desenvolvimento de estratégias que atendam os mais diferentes setores sociais, principalmente rearticulando com os movimentos de esquerda, os partidos de esquerda, para garantir o programa que levou Dilma Rousseff à presidência da República. É preciso concatenar a pauta programática da eleição de 2014 para implantar, no Brasil, as reformas que precisam ser feitas: reforma política, regulação da mídia, reforma tributária, entre outros temas.

Ceará 247 – O PT está sendo acusado de ser o partido mais corrupto da história política do Brasil. Não se vê uma reação à altura da direção do partido para enfrentar o debate.
FAD
– Esse debate da corrupção, se buscarmos a história recente, a relação de causa e efeito com a corrupção e o mal feito já nos levou a um processo de levar o PCB à ilegalidade, já levou Getúlio Vargas ao suicídio. Na década de 1960 estabeleceu uma crise levando o Brasil ao parlamentarismo e de volta ao presidencialismo que desaguou no golpe militar. Portanto não é nova essa lógica udenista, essa lógica que a elite imputa a outros aquilo que é a sua essência, que está no seu DNA, na sua gênese, da relação política, de financiamento, de patrocínio, de locupletação, entre o público e o privado. O que temos que fazer é apontar caminhos, apontar o que está sendo feito. Essa aparição da corrupção só acontece porque o partido e o governo tiveram coragem de fortalecer os instrumentos de combate à essa coisa entranhada secularmente na política brasileira. Hoje há uma posição firme do governo de que o mal feito não fica encoberto, é investigado. O grande problema que nós temos é que os processos são divulgados pela mídia e pelo judiciário, seletivamente. Os fatos não são colocados na mesma dimensão. Vide o exemplo da Operação Zelotes, do HSBC, que tem desvios quatro ou cinco vezes maiores que a Lava Jato e não é mostrado. No que diz respeito à Operação Lava Jato, propriamente dita, é só pegarmos como é tratado o assunto. O policial federal, conhecido como Careca diz que entregou um milhão de reais ao senador Anastasia, vem outro e diz que entregou 800 mil à cunhada do Vacari. O Vacari é preso. A cunhada é acusada sem qualquer fundamento e presa arbitrariamente e o outro não é sequer ouvido. Você tem 36 parlamentares citados, entre eles o presidente da Câmara, o presidente do senado, o PMDB, o PP, o PSDB e você não vê absolutamente um único processo para eles. Tudo é colocado para o PT. Nossa posição é que é preciso investigar tudo. Para isso nosso governo fortaleceu as organizações de controle. Mas a democracia precisa chegar ainda nos setores conservadores, particularmente no judiciário que está politizando os julgamentos.

Ceará 247- Porque o PT não questiona a atuação do juiz Sérgio Moro?
FDA
– O juz Sérgio Moro é outra excrescência. Um juiz de 1ª instância que usurpa poderes do judiciário, poderes que não são dele, que ameaça, que cala, que intimida, que toma decisões levadas à raia do absurdo e do imoral. Cabe sim ao PT fazer isso e eu não entendo porque o silêncio, a demora ou a ausência desse enfrentamento no supremo, na OAB, nas cortes internacionais, que caberia sim uma denuncia a cerca dos procedimentos desse juiz.

Ceará 247 – Já há varios pedidos de cssação do registro do PT. Como o partido está acompanhando esses processos?
FAD
– O Pt está acompanhando a tramitação. Está atento. Mas o que nós assistimos hoje é uma narrativa que, na verdade, está pautado é a eleição presidencial de 2018. Os setores que não conseguirem derrotar o PT nas quatro últimas eleições, buscam construir uma outra dimensão de disputa para construir 2016 uma derrota social para o PT em 2016 e em 2018 estar com o PT sem registro, impossibilitado de disputar as eleições, para que possam apresentar o projeto de uma minoria que se utiliza de um oportunismo sem precedentes , que vai de encontro com tudo que foi conseguido de conquistas sociais, das políticas públicas dos governos Lula e Dilma. O que eles buscam é desconstruir e deslegitimar, levar ao esgarçamento tudo o que foi construído e conseguido e evitar o que o PT dispute 2018.

Ceará 247 – A senadora Marta Suplicy apresentou seu pedido de desfiliação e a ex-prefeita Luizianne Lins diz ter recebido vários convites para deixar o partido.
FAD
– A Marta é a expressão do oportunismo e sensação de que os projetos pessoais prevalecem sobre os projetos coletivos. A Marta foi quem mais se utilizou da estrutura do partido em São Paulo nos ministério e de forma melancólica joga toda a relação construída no ralo. Já a essa discussão da ex prefeita e deputada federal ser assediada vem desde a eleição passada. Para nós é aguardar. Não será surpresa se mais uma vez os projetos pessoais falarem mais alto que os projetos coletivos. Eu não acredito que ela caia no canto da sereia. Todos aqueles que caíram nisso pagaram um preço alto, com o isolamento, baixa representatividade e a derrota de seus projetos pessoais. Eu acho que é mais uma ameaça para barganhar e fazer pressão sobre as eleições de 2016, em Fortaleza.

Ceará 247 – O PT já está discutindo internamente 2016?
FAD
– Como eu já disse várias vezes, a discussão sobre 2016 só será feita em 2016. 2015 é para organizar a militância, enfrentar a crise política, cuidar das questões da conjuntura e preparar a infra estrutura do partido para eleger nossos prefeitos e vereadores em 2016.

Fonte: Ceará 247

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