Segurando o boi pelos chifres

29/04/2005 Segurando o boi pelos chifres

Essa projeção diz respeito a um conjunto de argumentações sistematizadas acerca de uma sociedade e de suas contradições e problemas em um dado momento histórico, em que se debate formas de superação de problemas sociais e meios de viabilização de tais propostas. Esse conjunto de pensamentos e reflexões tende a se transformar em um discurso coletivo que não terá outra finalidade senão traduzir-se em prática implementada. Na medida em que cada sujeito político (cada partido) tem o seu projeto político próprio, isso significa que vários projetos estarão interagindo na sociedade.

Para Gramsci que conceitua o Estado moderno como “um equilíbrio dinâmico entre a sociedade política (governo) e sociedade civil”. Diferente da noção de Estado que existia na idade média e nas ditaduras onde a sociedade é inexistente como sujeito político ativo. E ainda segundo Gramsci que diz que “os agentes políticos (os partidos neste caso) travam uma luta permanente pela hegemonia política na sociedade”. A partir destas premissas, podemos entender que os projetos políticos passariam por concessões próprias dessa interação e que estes, os projetos, se moldam nesta batalha permanente, portanto, o resultado final da implementação de um projeto político tende a ser diferente da intenção inicial desejada, ou seja, um projeto político não é algo que necessariamente se realiza, é apenas uma possibilidade histórica que dependerá da ação de seus executores-implementadores e da correlação de forças na sociedade para ser implantado mais ou menos próximo da idéia inicial.

O projeto político do PT e do Governo Lula passa, também, por essas concessões típicas da disputa democrática pela hegemonia, entretanto, com alguns diferenciais históricos como: Ser a primeira experiência real e legítima de esquerda no poder central do país; não possuir maioria política-ideológica nas outras esferas e instâncias de poder e contar na liderança máxima de seu projeto político de um presidente oriundo das massas oprimidas, o que traz por si só um conteúdo simbólico muito forte, portanto, a questão das concessões feitas não podem ficar polarizada em se são ou não um atraso ou se elas acontecem por questões gerenciais. O foco é que elas, as concessões, são próprias e existenciais ao modelo de Estado democrático moderno e a interação política que acontece entre os vários projetos em disputa. O Governo Lula ao optar por governar sobre o pilar do entendimento, do debate franco, no horizonte do consenso possível opta talvez pelo caminho mais difícil no jogo democrático e nessa disputa, mais com certeza o caminho mais sólido e seguro para transformar o ideal do socialismo democrático de seu projeto na mais concreta e viva realidade, promovendo assim uma mudança civilizacional na política brasileira.

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