Rediscutindo a tática eleitoral do PT
As “Cartas sobre a Conjuntura Política Cearense” divulgadas até agora começaram a gerar o necessário debate no interior do PT e espero que se amplie para os movimentos sociais, a academia e a sociedade. Inicialmente quero registrar e agradecer as muitas pessoas que elogiaram a minha iniciativa e aqueles que, mesmo com pouco tempo disponível, fizeram críticas e comentários; apresentaram opiniões divergentes e pediram explicações mais detalhadas sobre certos aspectos por mim abordados. É certo que a combinação da comunicação interpessoal real e virtual tem muitas possibilidades. Para rediscutir a tática eleitoral do PT, faço inicialmente uma síntese das cartas anteriores que tratam do assunto.
Na Carta Nº 01 – “Elementos estruturais para a análise da conjuntura política cearense”, de 31/01/2006, tratei da existência dos cinco pólos de aglutinação política (hegemônico, coadjuvante, contra-hegemônico, alternativo e contra-hegemônico radical), situando o PT, o PCdoB e o PSB no pólo contra-hegemônico, ressaltando que a entrada do grupo cirista no PSB era um fato político de forte incidência sobre este pólo.
Na Carta Nº 02 – “O momento político e a tática eleitoral do PT”, de 25/02/2006, apresentei uma tática, com duas frentes de ação política coordenadas entre si. A primeira propunha uma pré-campanha de abril a junho, com todos os pré-candidatos majoritários, dos três partidos, em igualdade de condições. Na minha análise, argumentei que era politicamente inconveniente e de difícil concretização a tentativa da direção do PT de fechar a questão da chapa majoritária até 31/03/2006. Foi o que vimos. A segunda frente de ação tratava do lançamento do Movimento Ceará… , com o objetivo central de elaborar um Projeto Estratégico para o Ceará e diversos objetivos secundários, mas importantes para a ação do PT no período antecedente ao período eleitoral oficial.
Nas análises, opiniões e comentários dos que estabeleceram um diálogo político comigo, um ponto de questionamento foi a viabilidade de se lançar o “Movimento Ceará… (opções de denominação: 1-Socialista; 2-Sustentável e Solidário ou 3-de Todos) neste momento político. Inicialmente quero registrar a existência de manifestações pelos dois primeiros nomes e muitas dúvidas sobre como começar o movimento. A necessidade desta mobilização aparece nas muitas falas dos militantes das diversas tendências do PT e de algumas lideranças dos movimentos sociais, mas a decisão política de construí-lo ainda não foi tomada. Avalio que, até o momento, não conseguimos criar um “ambiente” para discussão e deliberação sobre esta proposta. A Executiva Estadual do PT, a Coordenação Político-Eleitoral Ampliada do PT ou a Executiva da CUT me parecem as instâncias mais adequadas para iniciarem o debate sobre a pertinência ou não da proposição.
Ao meu ver, o ainda conturbado quadro político nacional e estadual tende a se estender até junho. Certamente a legitima dinâmica da política real dentro do PT, de polarização entre a tese da candidatura própria para governador ou de apoio à candidatura Cid Gomes do PSB é o elemento central, inibidor de outras iniciativas políticas como o Movimento Ceará…
Neste contexto decidir no voto o impasse entre a candidatura própria ou a vice de Cid Gomes no Encontro Estadual de 21 e 22 de abril, será a melhor medida política? Embora este seja o desejo de muitos dirigentes partidários, acredito que não! Com qualquer das duas teses sendo vencedora, corremos o risco de quebra da unidade partidária até agora estabelecida, antecipando problemas e dificultando a ação de defesa do partido e do governo Lula.
Neste sentido cabe ressaltar a falta de veracidade da premissa afirmando que somente com a formação de um palanque unitário no primeiro turno estaremos apoiando à reeleição de Lula. A possibilidade ocorrência de dois palanques de apoio à Lula, já é reconhecida pelo partido no texto recentemente lançado sobre conjuntura, tática e alianças, que afirma o seguinte: “Tendo em vista as diferentes dinâmicas eleitorais existentes, no plano estadual e federal, em alguns estados a campanha Lula poderá ter “dois palanques”.
Neste mesmo sentido cabe ainda uma outra indagação: Restringirmos a ação política do PT a esta disputa é a melhor tática para o momento político? Na minha opinião, não! Volto a insistir que a melhor tática para o PT é este encampar a proposta do Movimento Ceará… ou outra similar. Para tanto, sugiro os seguintes passos para a construção deste movimento:
construir um acordo político de unidade interna para delegar a um Encontro Extraordinário ou à Convenção a tomada de decisão sobre tática eleitoral e alianças.
convidar o PCdoB, o PSB, o PHS e o PV, bem como os movimentos sociais para se incorporarem ao movimento e compor a coordenação deste.
No processo de mobilização social e de diálogo com a sociedade civil as posições políticas vão se explicitando, o potencial eleitoral dos pré-candidatos vão se evidenciando e os militantes partidários vão construindo democraticamente e de maneira fundamentada os seus posicionamentos sobre o conjunto das complexas questões em jogo.
Esta tática permite que a militância faça o enfrentamento político direto, respondendo com altivez o ataque das elites conservadoras contra o nosso partido e o nosso governo. Este é um dos principais propósitos desta iniciativa de mobilização popular. O Movimento Ceará … está portanto alinhadíssimo com o recente comentário de Lula: “Neste momento a melhor defesa é o ataque”. Companheiros, nós não somos esmorecidos, nós somos é de luta.
“… qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma a força e a magia” Goethe
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