PT se prepara para “guerra” contra big techs no ano eleitoral

26/01/2026

Partido alerta sobre manipulação de algoritmo e fake news nas redes sociais em meio à campanha das eleições de 2026

Fonte: Revista Fórum
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu intensificar o enfrentamento às grandes plataformas digitais diante do que considera um risco crescente ao processo democrático brasileiro. Em resolução política divulgada na última semana, a legenda classifica a atuação das big techs como uma ameaça direta à soberania nacional e às eleições de 2026, apontando a manipulação de algoritmos e a disseminação de desinformação como fatores centrais desse cenário.

Para o partido, as empresas de tecnologia exercem influência política ativa ao permitir a circulação massiva de falsas narrativas, discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos, frequentemente alinhados à extrema direita. Diante desse quadro, o PT afirma que tratará o embate com as plataformas como uma “guerra”, com foco em combater tentativas de desestabilização e manipulação digital em larga escala durante o período eleitoral.

Algoritmos, poder político e soberania

A preocupação, segundo a direção petista, não se restringe ao âmbito partidário. O secretário de Comunicação do PT destacou que o tema também tem sido levantado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva  em fóruns internacionais e no debate interno.

“O presidente Lula tem chamado atenção para essa questão no cenário mundial e, aqui em âmbito interno, nós do PT temos denunciado as evidências de manipulação e de atuação política das plataformas. Não existe neutralidade das redes sociais”, afirmou.

Na avaliação do partido, as big techs não atuam de forma imparcial e acabam favorecendo projetos políticos autoritários. O secretário nacional de Comunicação, Éden Valadares, reforçou essa leitura.

“As Big Techs não são isentas e permitem que guerras virtuais derrubem democracias, manipulando a vontade popular por meio de algoritmos que ignoram a soberania nacional. É preciso regulamentar as redes sociais para garantir que a nossa soberania não seja atropelada enquanto consolidamos nossa autonomia tecnológica.”

A defesa da regulamentação das plataformas digitais aparece como eixo central da estratégia petista. A resolução política do partido aponta que, no século XXI, a soberania nacional está diretamente ligada à soberania digital.

“A soberania nacional no século XXI depende, de forma decisiva, da soberania digital. A concentração inédita de dados, infraestrutura computacional e o poder do algorítmico inaugurou uma nova forma de poder global: o colonialismo digital. Empresas privadas controlam fluxos de informação, moldam comportamentos e influenciam diretamente a disputa política”, diz o documento.

Segundo o PT, garantir transparência, critérios claros e limites à atuação das plataformas é fundamental para proteger a população da desinformação e evitar interferências deliberadas no debate público. Para a legenda, a disputa política contemporânea passa necessariamente pelo controle da comunicação e do ambiente digital. “Na disputa política e cultural, a comunicação e a soberania digital assumem papel estratégico para disputar corações e mentes, bloquear a desinformação e proteger o processo eleitoral.”

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