Presidente não pode governar somente com aliados
Para ele, um presidente da República não pode governar somente com os aliados e é mais fácil conversar com a oposição neste momento, porque não é candidato à Presidência da República em 2010.
Na última quinta-feira (19), Lula reuniu-se com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), no Palácio do Planalto. Ele já conversou também com o senador do Partido Democratas, antigo PFL, Antônio Carlos Magalhães (BA).
“Nós precisamos dar exemplos de uma pátria civilizada, em que o presidente da República tem que ser uma espécie de magistrado e ele não pode ficar apenas governando com os seus, sem lembrar que é sempre importante a gente ouvir aqueles que pensam diferentemente de nós”, afirmou Lula, no programa de rádio Café com o Presidente.
“Eu não tenho mais o que disputar em 2010. Eu tenho apenas que deixar o Brasil em 2010 infinitamente melhor do que o Brasil que eu recebi. Isso é o que me dá liberdade de procurar todos os setores da sociedade para conversar. Vou conversar muito mais daqui para frente. Não havia por que não conversar com o Tasso Jereissati, com quem eu sempre tive uma boa relação, que ficou truncada no primeiro mandato”, completou.
Para Lula, as conversas com a oposição foram produtivas e o presidente pretende contribuir com a recuperação da credibilidade política dos partidos. “Nós precisamos fazer o Brasil dar um salto de qualidade, nós precisamos fazer o Brasil melhorar as coisas para seu povo. Esse compromisso eu quero partilhar com eles (oposição) também. Vamos conversar com mais gente, ou seja, eu penso que o Brasil está com a sua democracia consolidada. As instituições estão funcionando muito bem, os partidos políticos precisam funcionar cada vez melhor”.
Após encontro com Lula, no último dia 19, Tasso afirmou que a relação entre governo e oposição não mudará. No programa de rádio, o presidente admitiu que a disputa política nunca terminará, porém acredita que propostas do governo federal, como as medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), poderão ser aprovadas no Legislativo. “O que é importante é que a gente consiga fazer uma separação do que é a luta política e a necessidade do país”, acrescentou.
“Não é nenhum projeto de interesse pessoal do presidente da República. E nesse aspecto é que eu acho que eu posso contar com o Congresso Nacional. Vai ter o debate político, discursos mais fervorosos, mas na hora de votar as pessoas vão ter que escolher entre melhorar o Brasil ou piorar o Brasil. Certamente, todo mundo quer melhorar o Brasil”, disse.
Sobre os encontros com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), da oposição, e a aproximação com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), partido aliado ao governo, Lula voltou a classificar as relações de civilizadas e afirmou que na hora de discutir questões administrativas não “existe oposição ou situação”.
“Eu sei que têm governadores que pertencem a partidos de oposição, mas na hora de discutir a questão administrativa não existe oposição e situação. O que existe, na verdade, são interesses de milhões de brasileiros e brasileiras que nós precisamos cuidar conjuntamente”, disse o presidente, em seu programa de rádio.
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