PL tenta derrubar no STF imposto sobre ricaços, criado pelo governo para compensar isenção do IR
Legenda solicita derrubada de trechos da lei que isentou do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil; projeto aprovado no ano passado visa justiça tributária no país
Fonte: Revista Fórum
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Contra a política de justiça tributária prmovida pelo governo Lula, o Partido Liberal (PL) ingressou com uma ação no STF para tentar derrubar os dispositivos da Lei 15.270/2025, responsável por elevar impostos sobre contribuintes de maior renda para viabilizar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais. Como esperado, na ADI 7933, a legenda pede a interrupção da cobrança.
A sigla sustenta que houve afronta aos princípios da segurança jurídica e da anterioridade nonagesimal, já que não teria sido respeitado o prazo mínimo de 90 dias entre a publicação da lei e o início de sua vigência. A legislação foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025 e entrou em vigor em janeiro.
A legenda também questiona a chamada “tributação mínima”, que, segundo o PL, teria natureza semelhante à de um Imposto sobre Grandes Fortunas, o que exigiria lei complementar para sua criação. O partido afirma ainda que o debate no Congresso deixou claro o objetivo de atingir contribuintes “super-ricos”.
O PL sustenta que a soma do novo IR mínimo com tributos como IRPJ e CSLL. A ação foi distribuída ao ministro Nunes Marques, que já analisa processos semelhantes.
Brasil pode e deve taxar super-ricos
Um estudo do Ministério da Fazenda mostra que o Brasil tem condições de não cobrar mais imposto de renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês. Mas para que isso aconteça, é fundamental que o Congresso Nacional aprove também a taxação dos super-ricos.
O estudo elaborado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda analisou como ficaria o cenário fiscal do país com a aprovação do Congresso Nacional do projeto de lei que prevê a ampliação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Foram avaliados dois cenários. Um avalia como ficaria a situação do Brasil se apenas a isenção para quem ganha até R$ 5 mil for aprovada. Outro considera a situação se a reforma completa apresentada pelo Governo Federal, com a ampliação da isenção e também a taxação dos mais ricos for aprovada.
A pesquisa apontou que ampliar a isenção do imposto de renda de forma isolada, sem aumentar também os impostos para os mais ricos, pode piorar as contas públicas e ao invés de ajudar, pode aumentar a desigualdade social no país.
Para que haja essa melhoria na distribuição de renda, para que tenha mais justiça social, é fundamental que seja aprovada juntamente com a isenção de quem ganha R$ 5 mil a tributação mínima dos super-ricos. Caso contrário, nós não veremos uma melhoria da distribuição de renda no Brasil”, alerta o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.
O projeto que reforma o imposto de renda foi enviado para o Congresso Nacional em março. E prevê a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda, a partir do ano que vem. Hoje, estão isentas as pessoas que ganham até R$ 2.259,20. Com a aprovação do projeto, a isenção seria ampliada e incluiria contribuintes que ganham até R$ 5 mil. Com isso, cerca de 10 milhões de contribuintes deixariam de pagar imposto de renda.
O projeto também prevê reduzir o imposto para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Para compensar essa perda de arrecadação, o governo propõe taxar os mais ricos, que ganham mais que R$ 50 mil por mês ou R$ 600 mil por ano. O governo federal destacou que, da forma como está, existem distorções que afetam a progressividade na cobrança do imposto.
Quem tem renda maior que R$ 5 milhões por mês, por exemplo, paga apenas 5,67% de alíquota real de imposto. Com a reforma proposta pelo governo federal, a alíquota sobre a renda bruta dos mais ricos aumentaria de forma escalonada, chegando a 10% para quem ganha mais de R$ 1,2 milhão por ano.
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