Lula: entregarei um Brasil infinitamente melhor
Lula disse, no entanto, que seu governo entregará aos brasileiros “um Brasil infinitamente melhor”.
Segundo o presidente, a economia não depende apenas da vontade de uma pessoa, mas sim de “um conjunto de acertos que a pessoa fizer e de um conjunto de pessoas que estiverem convencidas daquele acerto”. Ao dar as boas-vindas a Mantega, o presidente brincou, afirmando que “a partir de hoje, quem quiser falar mal da economia, não fale do Palocci, fale mal do Mantega”.
“Eu não tenho dúvida nenhuma de que você está, não só qualificado para fazer o que o Palocci fez, como está qualificado com o aprendizado que todos nós tivemos com Palocci, de fazer mais e melhor”, afirmou Lula, ao destacar a escolha de Mantega para a pasta da Fazenda.
Depois de elogiar o trabalho de Palocci na condução da política econômica do governo, Lula lembrou ao novo ministro que, se ele continuar fazendo o que precisa ser feito, “mostrando seriedade, sem oferecer para sociedade nenhum milagre”, o resultado poderá ser um crescimento acima do que foi conquistado até agora, ao longo de tantos anos. Lula citou a geração de empregos e a melhora das exportações como legados da passagem de Palocci pela Fazenda.
Ao falar sobre seu relacionamento com o novo ministro, Lula disse que Mantega é “um companheiro de todas as horas”. “Eu quero te dizer, Guido, que, na hora em que as coisas estiverem indo bem, você não precisa nem pedir audiência comigo. Na hora em que precisar tomar alguma atitude que implique em enfrentamentos políticos, que impliquem posições, que possam parecer duras para alguns, você não tenha dúvida de que nós tomaremos a posição sem vacilação”, ressaltou.
“Nem todo irmão da gente é um grande companheiro, mas um bom companheiro é um grande irmão. Eu posso te dizer, Palocci, independente do momento que estamos vivendo, que a nossa relação é de companheiro”, afirmou Lula, encerrando o discurso.
Metas cumpridas
Ao assumir o cargo de ministro da Fazenda em cerimônia no Palácio do Planalto, Guido Mantega disse que as metas traçadas no início do governo para o Plano Plurianual de Investimentos foram “quase que totalmente cumpridas até agora, devendo ser completado em pouco tempo o que ainda falta”.
Ele atribui os resultados do país até agora à “tenacidade de Antonio Palocci e de sua equipe, que encontraram o país com uma inflação bem mais alta, taxa de juros em 23% e com vulnerabilidade externa preocupante”.”Em 2004, o Brasil deu início a um ciclo de desenvolvimento sustentável”, elogiou Mantega. O novo ministro ressaltou que já houve momentos de maior crescimento da economia, mas que nesses momentos o país era mais vulnerável.
Mantega afirmou que assume o compromisso de contribuir para o desenvolvimento, “dentro das condições que forem possíveis”. Ele lembra que houve épocas em que o país crescia mais, no entanto, assumindo um endividamento muito grande.
Em seguida, Mantega discursou e disse que aceita, “honrado e orgulhoso”, o desafio de conduzir o Ministério da Fazenda. “Continuo fiel a mim mesmo e às minhas idéias. O desenvolvimento que defendo é responsável, avesso às aventuras e a um entusiasmo infantil”, declarou.
O novo ministro também citou indicadores econômicos do governo Lula. “Com paciência, com competência e diretrizes claras, o presidente Lula orientou seu governo a consertar a economia, começar a crescer e abrir caminho para a redução das desigualdades sociais e regionais”, afirmou Mantega.
Legado de fé
O ex-ministro Antonio Palocci foi fortemente aplaudido, ao discursar, há pouco, na cerimônia de posse do novo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Palocci afirmou que deixa o governo por acreditar na democracia e na convivência pacífica no meio político. Ele disse que se sente orgulho de ter passado pelo ministério e ressaltou o fato de o Brasil ter alcançado, durante sua gestão, estabilidade econômica e melhor distribuição de renda.
“Mais do que o êxito alcançado na política econômica, o maior legado de minha passagem pelo Ministério da Fazenda – alguns hão de dizer – terá sido a estabilização da economia brasileira. Outros talvez vejam o aspecto da construção de bases sólidas para o crescimento econômico por décadas seguidas”, afirmou Palocci.
Ele ressaltou, entretanto, que seu maior legado “é a fé no Brasil”, além da diminuição do fosso existente entre ricos e pobres. “Saio feliz por ter deixado uma contribuição de melhoria na vida de milhões de pessoas pobres, que hoje têm um pouco mais de comida na sua mesa”.
Mais e melhor
Palocci afirmou ainda que Mantega será um ministro melhor que ele. “Não torcerei para o ministro Mantega fazer o mesmo que eu. Eu tenho certeza que ele fará mais e melhor.”
“O governo do presidente Lula, ao qual tive a honra de servir, conseguiu tirar o Brasil da unidade de terapia intensiva do Fundo Monetário Internacional”, afirmou o ex-ministro.
Sobre as denúncias que o levaram a pedir demissão, Palocci afirmou que não leva “mágoa nem ódio no coração”, mas voltou a negar, indiretamente, sua participação. Ele afirmou que as denúncias são “sem substância” e disse que “jamais atentei contra a democracia e as instituições do meu país”.
Palocci disse que no Brasil há uma tradição de uma “oposição feroz” e que por isso as instituições “estão cravadas de rancor”. “Talvez ela [minha crença na convivência pacífica] tenha sido ingênua”, disse.
Palocci agradeceu à equipe econômica e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Certamente cometi erros, mas nem de longe me arrependo. Ao presidente Lula não me arrependo nem um minuto por ter dedicado 20 anos de minha vida a seu projeto político”, disse.
Das Agências de Notícias
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