Fortaleza ganha uma Escola de Audiovisual
O desejo de muitos cinéfilos tem data marcada para se tornar realidade. A partir do próximo semestre, Fortaleza terá uma Escola de Audiovisual em pleno funcionamento, financiada e elaborada pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Fundação de Cultura Esporte e Turismo (Funcet). O projeto faz parte do complexo cultural nomeado “Vila das Artes”, cuja proposta é ser um espaço de produção cultural aberto à população, agrupando os núcleos de artes visuais, dança e audiovisual. Haverá no local uma biblioteca, uma videoteca, um núcleo de produção e uma agência de notícias culturais. A junção de todas estas áreas num mesmo espaço tem o intuito de possibilitar a troca constante de informações entre estes segmentos.
A iniciativa está sendo acolhida pelo histórico palacete do Barão de Camocim (Rua General Sampaio, 1632 – em frente a Praça da Bandeira). A divulgação da Escola de Cinema será feita durante a edição do Cine Ceará deste ano, que começa no próximo dia 30. A Prefeitura está investindo R$ 620 mil para a realização dos seis meses de estruturação do projeto da Escola (planejamento, implantação da grade curricular e do corpo docente) e dos dois anos de formação da primeira turma.
Além disso, foi adquirido R$ 15 mil através do Programa BNB de Cultura, destinados a atividades complementares – exibições de filmes e debates – a serem desenvolvidos no primeiro ano de formação e ao custeio de parte dos acervos de livros e DVD’s que a Escola disponibilizará aos alunos e ao público em geral. Recentemente, a Vila das Artes ganhou o edital Núcleos de Produções Digitais do Ministério da Cultura (MINC), cuja premiação contempla R$ 100 mil para financiamento de programas de formação – ao longo dos dois anos – e mais um kit de equipamentos.
Estruturação
A Escola de Audiovisual será certificada como Curso de Extensão, da Universidade Federal do Ceará (UFC), e vai oferecer, gratuitamente, dois anos de formação, capacitando gerações de novos realizadores audiovisuais na cidade. A aula inaugural para a primeira turma, que contará com 40 alunos, está marcada para agosto próximo. O curso está organizado por semestres (serão quatro), cada um deles com cinco meses de aula (ou oficinas semanais) ocorrendo no período da tarde. No turno da noite, haverá duas atividades extras: os “debates incalculáveis” e o “Cineclube da Vila”.
Os “debates incalculáveis” acontecerão uma vez por mês, fechando um total de 20 discussões ao longo dos dois anos. A idéia é trazer sempre alguém ligado à arte-pensamento para instigar a reflexão dos alunos. Já o “Cineclube da Vila” vai ocorrer uma vez por semana, totalizando 80 exibições de filmes no decorrer do curso. As mostras acompanham as disciplinas históricas abordadas em aula. As apresentações das obras serão abertas ao público em geral.
Segundo um dos conselheiros da Escola de Audiovisual, Alexandre Veras, há planos de pelo menos um terço dos professores virem de outros Estados para dar aulas durante uma semana. Dentre os convidados cotados estão Arlindo Machado, professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP e do Dept. de Cinema, Rádio e Televisão da Universidade de São Paulo; João Luiz Vieira, professor doutor em Cinema e Vídeo pela Universidade Federal Fluminense (UFF); Ismail Xavier, teórico de cinema e professor da Escola de Comunicação e Arte – USP; e Nelson Brissac, filósofo e professor do Departamento de Comunicação e Semiótica da PUC-SP.
“Estamos entrando em contato com estas pessoas e vendo suas disponibilidades. Mas também temos um corpo de professores na cidade que podem perfeitamente dar estas aulas também. A idéia é fazer este cruzamento. Nem ficar só com os professores daqui nem ficar só com os convidados”, afirma.
Cada aluno participará, durante os três primeiros semestres, da produção de, pelo menos, seis vídeos decorrentes da junção de teoria e prática de cada assunto estudado. No último semestre, o aluno poderá escolher uma das três áreas de formação: ficção, documentário e expressões contemporâneas (sistemas interativos, instalações, arte telemática, performance, intervenção urbana, etc.). Todos os exercícios do curso vão ser feitos em vídeo. Nesta última etapa, o trabalho de ficção deverá ser feito em película, enquanto o documentário e as expressões contemporâneas serão feitos em vídeo.
Público-Alvo
Segundo Alexandre Veras, conselheiro da Escola de Audiovisual, a Escola não é um curso para quem está na estaca zero. “É um curso para quem já possui um mínimo de informação na área audiovisual e demonstra ter vocação para ser um realizador. Pessoas que têm interesse na formação audiovisual em um sentido expandido, próximo de outras expressões artísticas. Não é só pensar ficção ou documentário. É pensar a imagem”. A perspectiva é atingir principalmente o público jovem, mas as inscrições estão abertas para todos os interessados em audiovisual.
Mercado
O objetivo da Escola é formar um realizador que passe por uma série de módulos de formação técnica. Assim, cada aluno além de estar preparado para ingressar no mercado como realizador, pode trabalhar em funções mais específicas ampliando seu leque de possibilidades. “A diferença é que este aluno vai trabalhar com uma compreensão muito mais ampliada”, destaca Alexandre Veras. A demanda por produção audiovisual só cresce e a entrada da TV Digital e de outras tecnologias de distribuição aponta para uma busca por conteúdo qualificado. Ao invés de ter saturação, identificamos que há uma imensa porta aberta. Por outro lado, precisamos formar pessoas que pensem a cidade em termos de imagem. Temos pouquíssima produção em Fortaleza em que a cidade é tematizada dramaturgicamente ou imageticamente. Existe uma demanda por este realizador porque ele vai dar conta de preencher essa necessidade que a cidade tem de construir sua imagem.
Processo de Seleção
O processo vai detectar se o candidato tem interesse em audiovisual, ligação com as artes e gosto pela pesquisa, além de ter disponibilidade de tempo, identificando se o interessado vai se dedicar totalmente ao curso e se, de fato, o candidato quer se formar em audiovisual. A seleção é dividida em três fases: prova escrita, apresentação de portfólio ou um trabalho (pode ser uma tela, um livro, um desenho ou qualquer obra que contenha alguma expressão autoral) e uma entrevista. A prova será elaborada por uma comissão julgadora formada por pessoas que não residem no Ceará. Serão exigidas uma bibliografia mínima de textos e uma filmografia mínima, que servirão de base para o preenchimento da prova. A divulgação de datas e outras informações sobre a Escola de Cinema vai acontecer durante o Cine Ceará deste ano, que inicia no próximo dia 30.
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