Ex-executivo da Toshiba confirma na PF esquema de caixa 2 em Furnas

06/03/2006 Ex-executivo da Toshiba confirma na PF esquema de caixa 2 em Furnas

Matéria publicada no dia 03/03, no site Contas Abertas, hospedado no Uol, informa que o ex-superitendente Administrativo da Toshiba no Brasil, José Antonio Csapo Talavera, depôs ontem na Polícia Federal e confirmou a existência de um esquema de propinas e caixa 2 na estatal Furnas.

Segundo Talavera, o esquema teria começado em 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, e envolvia, entre outras coisas, licitações dirigidas para a construção emergencial de usinas – devido à ameaça do apagão ocorrida na gestão tucana.

O ex-executivo também afirmou à PF que o operador do esquema na Toshiba mantinha relações com Dimas Fabiano Toledo, o ex-diretor de Furnas acusado de distribuir dinheiro a parlamentares da base aliada do então governo FHC.

A PF investiga a autencidade de um documento supostamente assinado por Dimas Toledo, conhecido por “Lista de Furnas”, no qual aparecem os nomes de 156 políticos que, em 2002, teriam recebedido dinheiro da estatal. Entre os citados, 82 pertencem ao PSDB e ao PFL.

Leia abaixo a íntegra da matéria do Contas Abertas:

O ex-superintendente Administrativo da Toshiba S/A, José Antonio Csapo Talavera, prestou depoimento na Polícia Federal ontem em Brasília, no qual revelou nomes de empresas e pessoas acusadas de participarem de esquemas de caixa dois, compras viciadas e propinas para políticos e funcionários de Furnas. Para ver o depoimento de Talavera na íntegra, clique aqui.

De acordo com Talavera, um clube formado pelas Toshiba, WEG, Alston do Brasil, ABB, GE e GEVISA (GE, VILLARES e BANCO SAFRA), fornecedores de bens e serviços para o Setor Elétrico Brasileiro, reunia-se, periodicamente, em São Paulo para combinar quem venceria os contratos com o governo federal, quais empresas seriam sub-contratadas e até pagamentos de propinas.

Talavera apontou Leonídio Soares, ex-diretor da fábrica da Toshiba em Minas Gerais, como o representante da multinacional japonesa no “Clube”.

Segundo o ex-executivo da Toshiba, Leonídio Soares era quem transferia as propinas para a Cemig, empresa do governo de Minas, e também para Furnas, do governo federal. As duas estatais eram as maiores clientes da TOSHIBA.

Segundo o ex-dirigente da Toshiba, Leonídio Soares subornava servidores públicos mediante o desconto de cheques na boca do caixa, amparados por notas fiscais frias. Talavera também sustenta que Leonídio mantinha relações com Dimas Fabiano Toledo, ex-presidente da estatal.

Talavera sustenta ainda que o esquema de corrupção começou em 2000, ano do apagão, quando um então funcionário de Furnas, Dieckson Barbosa, apresentou à Toshiba o lobista chamado de Dr. Terra, que dizia ser detentor de contratos envolvendo a construção de 5 ou 6 plantas de usinas termelétricas para FURNAS.

O lobbista teria cobrado cerca de R$ 5 milhões pelos contratos, ao mesmo tempo que deixara claro que essas obras integravam o programa para evitar o apagão e não seriam licitadas.

De acordo com o denunciante, os valores que seriam pagos por Furnas já traziam embutidos percentuais destinados ao pagamento de propinas para a diretoria da estatal e alguns políticos.

“Dieckson Barbosa explicou que tais recursos seriam repassados para a estatal e para alguns políticos através de falsos contratos de consultoria que deveriam ser assinados com o Dr. Terra”, disse Talavera.

O ex-executivo contou ainda ter descoberto, posteriormente, que Dieckson Barbosa trabalhava para o próprio Dr. Terra. Durante o depoimento, foram apresentados a Jose Antônio Talavera contratos apreendidos na residência do “Dr. Terra”, dentre eles alguns em nome da Toshiba.

O denunciante disse que os contratos são muito semelhantes aos que foram apresentados como condição para que a Toshiba pudesse construir as usinas termelétricas para Furnas em Campos dos Goytacazes e São Gonçalo, ambas no Rio de Janeiro.

Hoje, em Brasília, Augusto Carvalho, presidente do Contas Abertas, encaminhou o depoimento do ex-executivo da Toshiba para a CPI dos Correios, que investiga esquema de corrupção em Furnas. Em ofício encaminhado ao presidente da Comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), Carvalho sugere a tomada de depoimento de Talavera, que assegurou estar disposto a esclarecer o que se fizer necessário em relação às denúncias.

Respostas
O superintendente administrativo da Toshiba, Toshio Nonaka, disse ao Contas Abertas que a empresa não vai se pronunciar por não conhecer o teor das denúncias do ex-dirigente. As assessorias de comunicação da ABB, GE, Alston do Brasil e GEVISA informaram que não farão nenhuma declaração neste momento. A secretária do diretor da Toshiba Eunídio Soares informou que ele está viajando.

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