Eleições: Presidente defende aliança formal com PMDB
Em entrevista dia 01/05,Lula ressaltou que não se deve permitir que os interesses regionais prejudiquem os nacionais nestas eleições.
As afirmações foram feitas em entrevista coletiva a jornalistas durante sua visita a Manaus, onde acompanhou o início das obras do gasolduto Urucu-Manaus, um empreendimento que, quando concluído, levará gás natural à capital amazonense e municípios localizados ao longo de seus 670 km de extensão.
Lula disse ainda que irá conversar com todos os partidos políticos para tentar construir, após as eleições, uma reforma política para o Brasil. Leia abaixo alguns trechos da entrevista:
Conversa com Quércia
Temos que saber o que cada partido quer. Eu tenho conversado muito com o Renan Calheiros, com o presidente Sarney. E o Quércia faz parte de uma corrente dentro do PMDB, que é importante, porque significa São Paulo. E eu conversei com o Quércia. Eu fiquei satisfeito com a conversa, uma conversa boa, eu conheço o Quércia desde 1974, e eu disse textualmente para ele que o PT trabalha fortemente com a idéia de que haja uma aliança formal entre PT e PMDB. Se vai ser possível eu não sei, porque tem problemas nos estados, mas se nós permitirmos que o interesse regional, de um estado, atrapalhe um projeto nacional, uma aliança que pode consolidar forças políticas não apenas para disputar as eleições, mas para depois governar este país, será muito ruim. De qualquer forma, foi falado.
Organização política partidária
Nós não podemos permitir que o interesse de um estado subordine um projeto nacional. Nós não podemos permitir, porque às vezes prevalece o interesse de um candidato a deputado, às vezes prevalece o interesse de um candidato a senador que acha que a sua eleição é a coisa mais importante do mundo; às vezes interessa a um governador que acha que, eleito, o mundo está resolvido. Nós temos que fazer uma avaliação: o que é mais importante? Então, eu coloquei com muita franqueza. Nos próximos dias eu vou me dedicar a conversar com todos os partidos políticos para ver se é possível construir alguma coisa que permita, depois das eleições, fazer uma reforma política, transformar este país num país mais sério do ponto de vista da organização política partidária.
José Alencar
O José Alencar é um companheiro da mais alta qualidade. Eu sou grato a tudo que o José Alencar fez e vem fazendo. E o José Alencar estará em todas as minhas discussões políticas. Ainda ontem tive uma conversa com a bancada de Minas Gerais, para discutir o futuro das nossas ações em Minas Gerais. Foi muito boa a conversa com todos os partidos que participam do governo. E o José Alencar é um companheiro que cabe em qualquer lugar, desde o meu coração até a vice, até qualquer outro cargo.
O desenvolvimento do Brasil
O Brasil está numa fase boa, o Brasil está numa fase em que, eu diria, está consolidando a sua economia. Vocês viram que a crise do Banco Central americano e da dívida pública americana não nos causou problema. Nós temos uma certa solidez, não tanto ainda quanto nós precisamos, mas temos uma certa solidez, temos reservas, o PIB está crescendo, o emprego está crescendo, o salário está crescendo, ou seja, o que nós precisamos no Brasil é mostrar para o mundo que nós somos sérios e que temos objetivos estratégicos para o país. Eu faço a minha parte e espero que cada partido faça a sua parte. E que a gente possa se apresentar ao mundo com essa solidez.
Gastos
No Brasil é engraçado. Nós passamos três anos no governo fazendo um superávit mais alto no começo, e aí a manchete era a seguinte: “governo não gasta o que foi aprovado.” Este ano qual é o problema? Este ano, a partir de 30 de junho, você não pode mais fazer convênio com nenhuma prefeitura. Então, o que nós tivemos de opções? Nós tivemos as opções de gastar mais fortemente no começo do ano para garantir os nossos compromissos no segundo semestre. Isso é normal e sempre aconteceu. (…) Veja, eu tenho uma predestinação, de fazer com que os pobres deste país deixem de ser mais pobres, e tem gente que acha que é gasto. Tem gente que acha que garantir que as pessoas comam três vezes ao dia é gasto; tem gente que acha que colocar as crianças na escola é gasto; tem gente que acha que investir em escola técnica é gasto, então, paciência. Eu não posso ficar brigando com a conceituação que as pessoas fazem disso.
Investimentos
O Brasil, para ser o país-potência que nós sonhamos, tem que investir muito, muito em educação, muito em salário, muito na agricultura, muito na indústria, porque o que a gente não fizer agora nós vamos gastar depois com os PCCs da vida.
Gasoduto
Este gasoduto, em que vamos agora dar o pontapé inicial na obra, há mais de 20 anos sendo prometido, sendo reivindicado e as pessoas não fazem. Não fazem por quê? Porque é longe do eixo Rio/São Paulo, então, é difícil fazer as coisas no Brasil, é melhor fazer onde está fácil; e nós queremos que o Brasil seja mais equânime. Então, um gasoduto como esse, vai dar ao estado do Amazonas e à Região Norte, um potencial de desenvolvimento extraordinário. É uma obra cara? É. Isso é um investimento profundo, levou tempo, porque combinar o desenvolvimento com o meio ambiente exige mais competência nossa, mas as coisas vão acontecer.
Lula X FHC
Está chegando a época do povo fazer uma aferição do que aconteceu no Brasil. (…) Eu tenho que colocar, na hora em que eu decidir ser candidato, nós vamos colocar o que nós fizemos neste país e vamos comparar com eles. Eles ficaram oito anos no governo e nós vamos colocar quatro contra oito. Vamos medir educação, saúde, transporte, estradas, ferrovias, linhas de transmissão, energia. Vamos comparar e deixar o povo, livremente, julgar.
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