Ciro Gomes classifica de armação desrespeitosa as acusações do candidato do PL
Estava presente a senadora Patrícia Sabóia (PSB), coordenadora da campanha.
Ciro nenhuma vez citou, durante a entrevista, o nome do autor das acusações, o desembargador aposentado, José Maria de Melo, candidato ao governo do estado pelo PL e o PDT. Mas informou que ontem mesmo assinou procuração para o advogado dele processar o desembargador tanto moral quanto criminalmente. “Ontem o candidato do PL apresentou uma acusação de que eu, quando governador do estado Ceará, teria contratado uma empresa, a CMK, para fazer uma pesquisa pela qual teria pago US$ 972.000,00 e esse pagamento seria para beneficiar o meu irmão mais novo, Ivo Gomes”, informou Ciro Gomes aos jornalistas.
Para embasar o que estava denunciando, o desembargador José Maria de Melo apresentou no programa de televisão três documentos: 1) Uma nota fiscal de 06 de junho de 1991 em que a Secretaria de Governo do Ceará paga a emprega CMK Consultoria de Marketing Ltda por seis pesquisas. “Vocês podem reparar o início da grande armação: não é uma pesquisa, são seis. Em seguida a segunda e gravíssima armação. Se vocês repararem o valor da nota fiscal ela está, no valor da moeda da época, cruzeiros, com Cr$ 6.077.959,20. Consultando o Banco Central, isso, em junho de 1991, equivalia a 21 mil dólares e não 972 mil dólares conforme a armação posta na televisão.
Essa é a primeira e contundente transgressão de qualquer limite de escrúpulo na montagem dessa armação feita pelo candidato”, disse Ciro.
O segundo documento mostrado pelo desembargador José Maria, para dar crédito a denúncia, foi uma reportagem da revista Veja de 14 de setembro de 1994. “Aqui vai ficando mais grosseira ainda a armação. É quando eu era ministro da Fazenda. Fazia sete dias que tinha assumido. Faz (a reportagem) uma crítica a mim por um gasto com pesquisa que houvera sido feito, segundo a Veja, em 94, aí a Veja arbitra 900 mil dólares. Jamais se referindo a nota fiscal de 1991. Na armação (da propaganda eleitoral) é associada à nota fiscal que o Governo pagou a empresa CMK”, esclareceu Ciro.
“Terceiro vértice da armação e o limite de escrúpulo mais grave ainda extrapolado. Já vi muita coisa em política mas, uma armação desse tipo e com esse nível de falta absoluta de escrúpulo, comigo é a primeira vez na vida e já são 30 anos de luta”. “A tentativa de envolver o deputado Ivo. O deputado Ivo nunca recebeu um centavo da empresa CMK nem de qualquer outra empresa, nunca foi dono, nunca foi sócio, e nunca recebeu um centavo de governo e especialmente no meu governo”.
“De onde vem a armação? O dono da empresa CMK era o sociólogo Antônio Lavareda. Ele trabalhou no primeiro governo do Tasso, continuou no meu governo, trabalhou nos dois outros governos do Tasso e trabalhou no governo do atual governador Lúcio Alcântara até dias atrás”.
“Em 11 de novembro de 1992, um ano e meio depois do pagamento feito a CMK por seis pesquisas no valor de apenas 21 mil dólares, o senhor Antônio Lavareda passou uma procuração pública no cartório de Pernambuco, onde ele tem domicílio, para o advogado Ivo Ferreira Gomes praticar um ato, não envolvendo pagamento de nada, que era representar o senhor Antônio Lavareda num aditivo em que vende cotas para a um terceiro chamado Francisco Borges Cavalcante. Aditivo esse registrado na Junta Comercial. E o papel do advogado Ivo foi tão exclusivamente assinar o aditivo de transferência das cotas em nome de Antônio Lavareda”, explicou o candidato a deputado. Ciro mostrou os decretos legislativos aprovando os quatro anos (91, 92, 93, 94 ) do governo dele.
Ciro Gomes chegou a se emocionar quando, indignado comentou as declarações do deputado Fernando Hugo (PSDB) de que o helicóptero que se acidentou estava carregando mala de dinheiro. “Se é assim a política eu não queria mais. Não pode ser. Não pode”, repetiu emocionado.
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