Bono, do U2, ressalta sólido comando de Lula em editorial do The Independent

17/05/2006 Bono, do U2, ressalta sólido comando de Lula em editorial do The Independent

Ele assina a edição especial do diário britânico do dia 16/05, com editorial em que analisa o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo brasileiro.

O texto, intitulado “Um desafio para o sr. Lula”, afirma que, “sabiamente, em vez de desestabilizar o país com reformas apressadas, Lula gravitou para o centro, prometendo um sólido comando da economia”.

O jornal observa que o Brasil é geralmente considerado o mais promissor dos países BRIC, grupo que inclui também a Rússia, Índia e China, “destinados a herdar a terra”.

Diz o texto que, por volta de 2050, eles responderão por 40% da população mundial e são previstos como as economias dominantes do mundo. Sempre segundo o editorial, dos quatro, o Brasil é freqüentemente lembrado como o mais promissor. A Rússia se vê diante de uma crise demográfica e sua democracia vacilante. A Índia é contida por um sistema de castas que legitima a pobreza, e a China “pelo desnivelamento de seu desenvolvimento e a crescente tensão social”.

O Brasil parece ter, de acordo com o artigo, quase tudo o que é necessário para se tornar nas próximas décadas uma potência. A ampla vitória eleitoral do presidente Lula em 2002 foi “uma vitória da democracia do Brasil e deu esperança aos pobres do país”, afirma. E, “ao invés de desestabilizar o país com corrida acelerada para reforma radical, Lula sabiamente gravitou em torno do centro, prometendo gerenciamento sólido da economia”.

O editorial diz, no entanto, que, “se os eventos em São Paulo [a onda de violência dos últimos dias] forem um anúncio do que está por vir, talvez seja motivo para diminuir o otimismo”. Ainda assim, Bono ressalva que “o presidente Lula estava parcialmente certo quando atribuiu a violência à desigualdade social no Brasil e à falta de investimento em educação”.

O jornal observa que inicialmente a violência foi atribuída a ação de gangues criminais, enfurecidas pela remoção de presos para presídios de alta segurança. “Entretanto, com os dias passando sem alívio, era difícil não ver a violência sob uma luz política”, disse. “Em escala, ferocidade e escolha de alvos, esses assaltos coordenados apresentaram um desafio direto para a autoridade do Estado.”

O editorial afirma que “nenhum estado moderno merece esse nome” se pode ser mantido refém por indivíduos ou grupos que operam fora da lei. “Esses flagelos, no entanto, são algozes que podem ser apenas resolvidos no longo prazo”, disse. “Enquanto isso, ele (Lula) poderá se ver cada vez mais enroscado por reformas que progridem lentamente demais para o pobre e rapidamente demais para o rico, incluindo as gangues que se alimentam de seu dinheiro.”

Metade da renda gerada pela venda de exemplares desta edição assinada por Bono será revertida para o combate à Aids na África.

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