Berzoini: Senso comum predomina em denúncia

18/04/2006 Berzoini: Senso comum predomina em denúncia

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, afirma que o relatório apresentado ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não se assenta sobre fatos concretos apurados, mas sobre o “senso comum que predomina na imprensa desde as primeiras denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson”.

Berzoini também refuta a afirmação do procurador de que os petistas citados no relatório fizessem parte de uma “organização criminosa” e faz um alerta à militância petista: que todos saibam contrapor a avalanche de ataques na imprensa aos fatos reais. “Não houve até agora uma só prova de que houve um sistema de corrupção dentro do governo. É óbvio que casos isolados de corrupção podem ocorrer em qualquer governo, e é nosso dever combater esses casos. Mas não houve corrupção sistêmica, muito menos ficou provada a existência de um aliciamento sistemático de deputados”, ressaltou.

Segundo ele, a “fúria” dos meios de comunicação e da oposição se intensificou após a divulgação de pesquisas que mostram o presidente Lula com mais que o dobro de votos do segundo colocado, Geraldo Alckmin.

Confira a entrevista exclusiva concedida ao Portal do PT nesta quinta-feira (13).

Como o PT está se posicionando diante da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República ao STF, que chega a classificar o grupo que inclui petistas de “organização criminosa”?

O procurador-geral, nesse caso, atua como advogado de acusação. E o Ministério Público, é bom lembrar, não julga. Ele investiga e acusa ou denuncia. Cabe à Justiça julgar. Nós acreditamos que o texto da denúncia é extremamente agressivo e não se assenta sobre fatos concretos apurados, mas segue na linha do senso comum, que predomina na imprensa brasileira desde as primeiras denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson. No nosso entendimento, todos os denunciados vão ter oportunidade de se defender, mas, por tudo que podemos ver e investigar nesses meses, não houve aquilo que o procurador-geral denuncia no seu relatório, ou seja, uma organização criminosa para financiar o aliciamento de deputados. O que houve, no nosso entendimento, foi uma maneira extremamente confusa e desorganizada de arregimentar fundos para financiar campanhas eleitorais e dívidas de campanha, que incorreu em ilegalidade eleitoral por mais de uma vez. Mas nunca uma organização criminosa que tivesse as características que o procurador atribuiu no seu relatório.

Hoje os jornais informam que o procurador está preparando um novo pacote de denúncias. O PT teme que isso tenha reflexo nas eleições?

O Ministério Público tem o direito e o dever de investigar. Evidentemente, ele pode ser mais fiel aos fatos ou não, dependendo da metodologia e das intenções com as quais construa seus processos. É óbvio que esse tipo de intervenção, quando divulgada com a forma como foi pela imprensa, pode ter impactos eleitorais, sim. E é bom que a militância do PT saiba contrapor a avalanche da imprensa com os fatos. Não houve até agora uma só prova de que houve um sistema de corrupção dentro do governo. É óbvio que casos isolados de corrupção podem ocorrer em qualquer governo, e é nosso dever combater esses casos. Mas não houve corrupção sistêmica, muito menos ficou provada a existência de um aliciamento sistemático de deputados. É bom que saibamos que a imprensa redobrou a fúria a partir de divulgação de pesquisas que mostram o Lula com mais que o dobro das intenções de voto do segundo colocado.

Como o PT e os petistas devem reagir a essa situação?
Primeiro, mostrando que, no governo anterior, apesar de inúmeras denúncias bastante graves — inclusive de compra de votos no processo de aprovação da emenda da reeleição —, nunca houve CPIs, muito menos o Ministério Público atuou para investigar. Portanto, aqueles que nos acusam têm pouca autoridade para fazê-lo. Em segundo lugar, lembrando que estamos na ante-sala de uma disputa eleitoral, portanto, toda ação, nesse momento, acaba tendo um cunho político-eleitoral, por mais que possamos defender o pleno funcionamento das instituições, e assim o fazemos. Acreditamos que o processo de debate político a respeito desse caso visa a encobrir os bons resultados do governo Lula e fazer com que a pauta política do país permaneça sobre a crise — assim, tenta-se reduz o espaço para discutir o sucesso da geração de empregos, o sucesso do Bolsa-Família, a redução das desigualdades, o combate à miséria, a execução de programas como ProUni, Farmácia Popular, o Brasil Sorridente e vários outros programas que têm tido um sucesso extraordinário — além de tentar, nesse momento, empanar o brilho da recuperação do salário mínimo, que alcança o maior valor dos últimos 20 anos a partir do dia 1º de abril passado, quando foi feito o reajuste do salário mínimo.

São esses bons resultados que mantêm Lula imbatível nas pésquisas?

Sem dúvida. Além disso, eu creio que, por um lado, a população já percebeu que a crise tem objetivos político-eleitorais. É notório que os mesmos que defendem apurações rigorosas e CPIs múltiplas, no Estado de São Paulo, façam a total obstrução a qualquer CPI em relação ao governo Alckmin. São 69 pedidos de CPIs que não foram viabilizados pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Quando surge a denúncia sobre manipulação de verba publicitária da Nossa Caixa, o governo Alckmin sai com desculpas que nenhum petista até hoje ousou apresentar à imprensa e, ao mesmo tempo, busca impedir e obstruir as investigações. Então o processo político já está totalmente contaminado pela total “irresignação” dos tucanos e grande parte da mídia com as pesquisas eleitorais que mostram Lula muito bem avaliado.

A obstrução da votação do Orçamento da União por parte da oposição não é um tiro no pé dela própria?

A oposição partiu para o tudo ou nada. Ao obstruir o Orçamento, tenta dificultar a manutenção de programas de sucesso do governo Lula. Mas, evidentemente, vai ficar explícito para a população que, pela ansiedade eleitoral, eles acabam prejudicando a própria população. Então é papel dos petistas, em cada município do Brasil, divulgar à população que a oposição hoje não trabalha apenas contra o governo. Trabalha contra o povo, obstruindo a votação de um orçamento que contém verbas importantes tanto para investimentos quanto para a manutenção de programas sociais.

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