Ministro da Educação de Bolsonaro diz que “universidade para todos não existe”
A ideia apresentada no período da campanha de Bolsonaro de governo de mudanças não acontecerá. O Ministério da Educação (MEC) estuda aprimorar a reforma do ensino médio aprovada durante o mandato de Michel Temer enfatizando a formação técnica como prioridade para inserir os jovens mais rapidamente no mercado de trabalho.
“A ideia de universidade para todos não existe”, afirma Ricardo Vélez Rodríguez, ministro da Educação, em entrevista exclusiva ao Valor. Ele disse ainda que “as universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [país]”.
“A fala do ministro é grave quando coloca que a universidade não é para todos. A nossa juventude não pode apenas ser mão de obra barata, isso leva a precarização e reduz a juventude ao ensino técnico, desqualificando toda uma geração e desconstruindo todas as políticas da universidade pública, gratuita e de qualidade”, explica Romário D’angelo, secretário de Juventude do PT Ceará (JPT-CE).
Além disso, o ministro defende a continuidade do enxugamento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), iniciado por Temer. Segundo o secretário da JPT-CE, “não podemos aceitar que o governo Bolsonaro governe e tenha atenção para os ricos, desfavorecendo toda a política de inclusão social, principalmente na área da educação, tão transformadora na condição de vida de inúmeros jovens Brasileiros. Vamos continuar na luta contra essa ideia e defender a universidade para todos”, disse.
Governos de Lula e Dilma mudaram a realidade da educação
Os governos do PT implantaram políticas como a expansão dos Campi federais e dos institutos, a criação de programas como ProUni que ajudou 50 milhões de pessoas a ingressarem nas universidades. Foi durante os governos de Lula e Dilma que famílias viram, pela primeira vez, um familiar receber o diploma de graduação.
Segundo Renan Ridley, secretário de Finanças do DCE, da Universidade Federal do Ceará (UFC) “o governo Lula criou o Programa Universidade para todos, garantindo a mudança do perfil social e étnico dos estudantes universitários, antes, espaço ocupado por uma elite privilegiada. O que assistimos é a tentativa de retroceder a esse período”. “O retrocesso na educação fica muito nítido com essas declarações do ministério e temos que ficar atentos na luta para defender e garantir educação para todos”, finaliza Renan.
Polianna Uchoa – Assessoria de Comunicação do PT Ceará com informações da Agência PT de Notícias e Valor Econômico
Compartilhe