Diretório Estadual aprova Resolução Política

18/11/2016 Diretório Estadual aprova Resolução Política

DIRETÓRIO ESTADUAL DO PT – CE
INTRODUÇÃO

Concluído o processo eleitoral desse ano, com um resultado adverso para as forças democráticas e populares e sobretudo para o nosso partido, o momento é de debate e reflexão sobre as razões de uma derrota que não podemos desconhecer nem negligenciar, mas, sobretudo, o momento é de identificarmos os caminhos para a retomada do fortalecimento do nosso partido numa quadra de forte ofensiva do ultraconservadorismo, com traços de intolerância, ódio e desprezo pela política e pelo estado democrático de direito.

Nosso desafio consiste na árdua tarefa, de, simultaneamente, avaliarmos os nossos erros e adotarmos as correções de rumos necessárias, sem nos descuidarmos do duro e duradouro enfrentamento que precisamos travar, ao lado de todas as forças populares, democráticas e progressistas do país, contra o conservadorismo e suas práticas.

1.    [endif]>O Brasil vale a luta

As forças conservadoras que patrocinaram o golpe parlamentar contra o governo Dilma, têm, plena clareza que a implantação do programa de retirada de direitos e desmonte do estado de bem-estar social com as conquistas alcançadas nos últimos anos, passa pela destruição do PT e suas principais lideranças e pela criminalização e repressão dos movimentos sindical e popular.

O que aparentemente eles não se deram conta é que a forte inserção do PT, das forças democráticas e dos movimentos sociais na sociedade brasileira, não permite que a sua destruição ocorra, sem que se aniquile conjuntamente a democracia, o estado de direito e a política como mecanismo de composição civilizada dos conflitos sociais. O PT nasceu na luta pela redemocratização e construiu sua trajetória intrinsecamente ligada à defesa e ao aprofundamento da democracia no Brasil.

Os excessos cometidos pela campanha político-midiática e judicial na ofensiva contra o PT e os movimentos sociais já produziram efeitos degenerativos no tecido democrático e civilizatório do país, cuja exata dimensão ainda não conhecemos. A invasão do plenário da Câmara dos Deputados por um grupo extremista defendendo a volta da ditadura militar, a ação de milícia, disfarçada de movimento social, usando da força e da intimidação na tentativa promover a desocupação de escolas pelos estudantes, as manifestações de racismo, machismo e outros preconceitos e intolerâncias nas redes sociais e nas ruas, são apenas a ponta de um iceberg que se não for imediatamente repelido poderá levar ao naufrágio uma nação até então reconhecida pelo mundo como uma das grandes promessas desse século.

 A crise é profunda e pode se agravar ainda mais. O governo golpista tem se demonstrado incapaz de gerenciar o país, conduzir a economia e estabelecer qualquer interlocução com a sociedade.

Sem a legitimidade do voto popular e enredado em suspeitas, denúncias e apurações que alcançam figuras do seu alto comando e grande parte de sua base no Congresso, num ambiente de espetacularização dos processos que eles próprios alimentaram, dificilmente o presidente ilegítimo reunirá condições sequer para concluir o mandato que usurpou. Sua estratégia de governabilidade se resume à implementação da agenda neoliberal exigida pelas forças que patrocinaram o golpe e sua ascensão ao poder, num esforço desenfreado de mostrar e adiantar o serviço, na esperança de que essa tarefa ultrajante, não seja transferida, por essas mesmas forças, a outros atores.

A instabilidade é a principal personagem da conjuntura. Mudanças repentinas de cenários podem se dar em questão de dias ou até de horas.

O golpe com sua agenda destrutiva, gerou um impasse duradouro, interditando a possibilidade de diálogo entre as forças antagônicas.

A nossa ação política, nesse contexto, deve ser a de duro enfrentamento contra o governo ilegítimo e intransigente defesa dos direitos e conquistas alcançados pelas classes populares nos últimos anos e agora ameaçados.

Nossa luta pode ser traduzida nas nossas palavras de ordens: nenhum direito a menos; fora Temer; não ao golpe em defesa da democracia e do estado de direito. Nenhuma conciliação ou mediação poderá ser admitida num ambiente de ataque destrutivo contra o PT, os movimentos sociais e a legalidade democrática. A greve geral, as jornadas de mobilização, as ocupações das escolas pelos estudantes, dentre outras, são ações legítimas dos movimentos sociais na defesa dos seus direitos.

Somente num ambiente de respeito às regras democráticas, de restabelecimento da soberania popular e respeito aos direitos sociais e aos movimentos populares é que será possível o restabelecimento das condições políticas que assegurem estabilidade ao país, a partir da garantia de que os conflitos serão solucionados no campo das disputas democráticas.

A saída é pela reabilitação da política e não por sua negação. Por mais direitos, por mais liberdades com participação cidadã, justiça e inclusão social. O Brasil vale a luta.

2.    [endif]>Rumo ao VI Congresso do PT

Do ponto de vista interno a nossa tarefa consiste em promovermos uma grande mobilização partidária para o engajamento de nossa militância, filiados e simpatizantes no processo de realização do PED municipal e congressos em todas as instâncias, conforme definido na resolução do Diretório Nacional, assegurando o debate amplo, plural e franco, juntamente com a eleição das novas direções em todos os níveis, na perspectiva da definição coletiva da nossa estratégia política, do programa e da melhor forma de funcionamento do PT e nossa organização partidária, apresentando para a sociedade brasileira um posicionamento do PT como referência de partido de esquerda, socialista, comprometido com a democracia, ética, justiça e inclusão social.

Fortaleza, 18 de novembro de 2016.

 

 

Diretório Estadual PT – Ceará

 

Compartilhe

Recomendados

Sem categoria
Nota oficial do Partido dos…
26/08/2022