VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: NÃO É ESTE O MUNDO QUE QUEREMOS!
A Secretaria Estadual de Mulheres do Partido dos Trabalhadores e a Secretaria de Mulheres do Partido dos Trabalhadores de Fortaleza vem à público repudiar a crescente escalada da violência contra as mulheres que, nos último dia 23 de agosto, resultou no feminicídio de Adriana Moraes e sua filha Jade Moraes, de apenas 8 meses de vida. Marcelo Barbarena Moraes, marido de Adriana, é o principal suspeito de assassinar à queima-roupa as duas mulheres.
Repudiamos ainda a forma como o suspeito vem sendo retratado na mídia convencional, atribuindo primeiro um caráter passional ao crime e, segundo um aspecto de desequilíbrio psicológico ao acusado. Estes atributos apenas mascaram o machismo e os motivos por razões de gênero que levaram ao assassinato. Nós mulheres dizemos que não existe crime passional, o que existem são crimes motivados por um sentimento de posse do parceiro. Não podemos aceitar a naturalização da violência!
O caso citado mostra que não apenas cresce a violência contra as mulheres, mas também os requintes de crueldade de cada um dos feminicídios ocorridos, fato observado no Ceará e em todo o Brasil. Esta crueldade é sintoma de uma sociedade onde cresce cada vez mais o machismo, a misoginia e a ofensiva conservadora sobre as nossas vidas e nossos corpos. Atribuem, a nós mulheres, a insígnia de objetos de posse e poder dos homens e, portanto, inferiores e descartáveis.
O resultado disso, é que hoje o femínicidio nos assombra. Segundo dados da pesquisa IPEA (2013), estima-se que ocorreram, em média, 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia, ou uma a cada hora e meia. No Ceará, os dados relacionados a 2014, em que houve um aumento de 24% no número de mulheres mortas por crimes violentos letais e intencionais, nos coloca no 6º lugar no ranking nacional de morte de mulheres, sendo o 3º no Nordeste.
Também não estamos salvas da violência no espaço “virtual”. A violência sexista tem mostrado sua face nas redes sociais, incitando o ódio, a misoginia e incentivando crimes hediondos como o estupro. Nos solidarizamos, em especial com a presidenta Dilma, nossa maior representação política, que tem sua imagem a toda hora divulgada com achincalhes acerca da sua sexualidade. As mulheres brasileiras se sentem ofendidas, desrespeitadas. Essa violência não retrata os valores da democracia.
Para fortalecer a luta no combate a violência contra a mulher e por entender que a luta contra a violência sexista é parte da nossa luta geral para a construção de autonomia das mulheres, orientamos as mulheres petistas a se somarem a IV Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, que será realizada entre os dias 15 e 17 de outubro, em Barbalha, no Cariri cearense e em Mossoró, no Rio Grande do Norte, justamente com o tema do combate a violência contra as mulheres. Esse será um importante espaço auto-organizado de mulheres onde estão previstas atividades de formação política. Na região do Cariri, em especial Barbalha, são assustadores os índices de violência contra a mulher. Pelo menos 220 mulheres foram mortas em municípios da região nos últimos dez anos. Vamos à luta companheiras, porque a violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!
Fortaleza, 10 de setembro de 2015.
Secretaria Estadual de Mulheres do Partido dos Trabalhadores
Secretaria de Mulheres do Partido dos Trabalhadores de Fortaleza
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