16/03/2011
Ao contrário do que muitos pensam o Dia Internacional da Mulher não surge com a morte de operárias em um incêndio ocorrido numa fábrica têxtil nos Estados Unidos, mas sim em 1910 na Rússia, proposta da alemã Clara Zetkin quando da realização da Segunda Conferência de Mulheres Socialistas, no entanto a mesma só passaria a ser comemorada no dia 08 de março, a partir de 1922, já articulada com a luta pela transformação mais geral da sociedade.
Portanto, a data representa uma trajetória de luta das mulheres que ousaram romper com padrões e regras estabelecidas, subvertendo a lógica da sociedade patriarcal que teima em relegar as mulheres à condição de inferioridade e subordinação, negando-lhes a possibilidade de se constituir como sujeitos políticos e de direitos.
Nessa trajetória, são inegáveis os avanços conquistados nos vários âmbitos da vida, como o direito ao voto, à educação, ao trabalho e à participação na vida política, que representam um patrimônio para o conjunto das mulheres.
No entanto, é necessário refletir sobre a situação de desigualdade que permanece como marca na vida da maioria das mulheres, sobretudo as negras e pobres. Ainda recai sobre as mulheres a exclusiva responsabilidade com o cuidado da família, dos filhos estas tendo que dedicar um maior número de horas ao trabalho doméstico que os homens.
No mercado formal de trabalho as mulheres embora tenham avançado de 40,64% (2006) para 41,48% (2010) no total de empregos, elas seguem recebendo menos que os homens, cerca de 33%.
As mulheres são as maiores vítimas da violência sexista, e a Lei Maria da Penha, enfrenta ataques cotidianos, assim como é assustadora a lógica da mercantilização do corpo e da imagem das mulheres, sobretudo na mídia. Os comerciais mais parecem leilões de mulheres expostas como mercadorias.
Na política, a eleição da presidenta Dilma começa aos poucos dar maior visibilidade à participação das mulheres. De fato, ela tem feito um esforço de reforçar e valorizar a presença das mulheres em espaços de decisão do seu governo. Isso é fundamental, mas não é o suficiente, na medida em que as mulheres, embora a maioria do eleitorado, ainda tenham uma subrepresentação nessas esferas, como nos legislativos, por exemplo, pois o espaço da política ainda é marcado pela presença e poder dos homens, e permanece fortemente a prática sistemática de desqualificação das mulheres.
É preciso, portanto, enfrentar o debate sobre a reforma política, que infelizmente ainda está restrito a mudanças partidárias e eleitorais, mas que se faz necessária a intervenção das mulheres organizadas para que o mínimo de avanço seja garantido.
Em Fortaleza, a nossa gestão tem sido marcada pelo esforço de resgatar uma dívida que a cidade tem com as mulheres. Esse compromisso se expressa em ações concretas como a criação de uma Coordenadoria de políticas para as mulheres, que necessita avançar cada vez mais, com orçamento próprio e autonomia política, da implantação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e sexual como o Centro de Referência Francisca Clotilde e a Casa Abrigo, o Hospital da Mulher, projetos de inclusão produtiva, de incentivo à participação política das mulheres dentre tantas outras políticas inauguradas no nosso governo.
Enfim, são muitos os desafios postos para a conquista efetiva da igualdade para as mulheres. Muito ainda há de ser feito. Mas reconhecemos que passos importantes têm sido dados nessa direção. As conquistas nos animam e alimentam nossos sonhos de uma transformação integral da sociedade que se paute na garantia de direitos, na solidariedade e na igualdade entre mulheres e homens.
Raquel Viana
Secretária Estadual de Mulheres do PT
Coordenadora de Políticas para as Mulheres – Prefeitura de Fortaleza