Lula ataca “falsos democratas” dos jornais e “enlatados” das TVs
O presidente Lula abriu ontem a II Conferência Nacional de Cultura, no Teatro Nacional de Brasília, acusando de “falsos democratas” alguns autores de editoriais de jornais e criticando também a programação das TVs brasileiras.
“Vocês prestem atenção. Se vocês são como eu, que não gosto de ler notícia ruim, prestem atenção no noticiário, porque política e eleição também são cultura. Sobretudo o resultado. Prestem muita atenção daqui para frente. Leiam os editoriais dos jornais, que a gente pensa que só o dono lê. Às vezes, é bom ler para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles seja a única voz pensante no mundo”. Ao comentar a programação das emissoras de TV, Lula criticou o predomínio e a repetição de filmes “enlatados”.
“Possivelmente vocês não tenham dimensão da contribuição que estão dando ao país ao saírem das suas cidades, ao saírem da casa de vocês e da frente da TV onde só passa enlatados. Tem filme que passa 90 vezes. Os artistas já ficam íntimos da gente. Você liga a TV e o artista fala: ‘oi, Lula’. A Marisa acha até que é parente dela”, discursou arrancando risos da plateia.
O presidente afirmou que o governo continuará investindo prioritariamente em estados que, ao contrário do Rio e de São Paulo, carecem de fontes para captação de recursos.
“Imaginem o quanto o Gilberto Gil e o Juca Ferreira apanharam quando decidiram priorizar os estados que não têm dinheiro. Nós descobrimos que onde há dinheiro, há muita cultura, mas que também há muita cultura onde não há dinheiro.”
Em discurso antecedido por pronunciamento da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, Lula brincou com os conferencistas que exibiram faixa reivindicando aumento do percentual de recursos para a cultura. Ele disse que a decisão sobre o assunto passará a depender de Dilma.
“O pessoal poderia ter levantado a faixa quando a Dilma estava falando. É importante atentar para o momento certo de levantar as faixas. Isso também é cultura”.
Fonte: Brasília Confidencial
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