Pré-sal: Um novo ciclo econômico e milhares de empregos

09/10/2009 Pré-sal: Um novo ciclo econômico e milhares de empregos

Só até 2013, prevê-se a criação de quase 700 mil novas vagas no mercado de trabalho, com investimentos de 190 bilhões de dólares (a maior parte da Petrobras).
Com o pré-sal, o cenário mudará ainda mais. Serão criadas centenas de novas empresas no País. Ferrovias, portos, estaleiros, plataformas marítimas e serviços integram toda a logística a ser montada para deixar o País como um dos principais produtores de petróleo do mundo.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, diz que, para produzir o petróleo na nova área, será preciso desenvolver a indústria nacional e treinar mais de 240 mil profissionais até 2016. "Essas pessoas serão treinadas não para a Petrobras, mas para a cadeia de suprimentos que irá nos atender", afirma.
Esse é o quadro que está sendo desenhado por especialistas a partir dos dados preliminares levantados sobre o potencial da nova fronteira petrolífera brasileira. "Serão empregos de qualidade gerados a partir de uma lógica que coloca o interesse nacional acima de tudo", afirma o deputado Fernando Marroni (PT-RS).
Para explorar as reservas de petróleo do pré-sal, o Brasil terá de construir, nos próximos anos, 40 navios-sonda, plataformas marítimas e 234 navios, dos quais 70 de grande porte, conforme previsão da Petrobras. "O foco da produção deverá ser em território nacional, dentro de uma dinâmica que prevê o beneficiamento do petróleo aqui, a partir de novos pólos petroquímicos e da expansão dos atuais", comenta o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
A corrida do pré-sal, porém, não envolve apenas gigantes empresariais e obras espetaculares. Em toda a rede há uma infinidade de pequenos e médios fornecedores. O volume de recursos movimentado nesse setor contempla, em geral, uma extensa rede de contratadas e subcontratadas para fornecer serviços, equipamentos e materiais.
Os dois deputados petistas afirmam que desde 2003, com o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil passou a direcionar a produção de equipamentos para o setor de petróleo em território nacional. Mas, para atender ao novo ciclo econômico fomentado pelo pré-sal, terão de ser feitos outros vultosos investimentos no parque industrial brasileiro. "Na verdade, esse será o grande desafio do Brasil", diz Marroni. Segundo ele, a Petrobras precisa de 40 plataformas petrolíferas para os próximos cinco anos, mas o País tem condições de fabricar somente 28. "Precisamos ganhar escala, urgentemente".
No setor de petróleo, as cifras são bilionárias. Em 2007, em todo o mundo, os investimentos em exploração e produção somaram 332 bilhões de dólares. Desse total, 70 % destinou-se aos fornecedores de equipamentos e serviços. No Brasil, até 2013, serão investidos 190 bilhões de dólares – média de 100 milhões de dólares por dia. Esses números, porém, transfiguram-se quando envolvem o pré-sal: só para explorar as reservas do campo de Tupi (entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris), o Brasil teria de investir pelo menos 600 bilhões de dólares.
Na prática, como observa o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), pode-se vislumbrar um salto na participação do setor de petróleo na cadeia produtiva brasileira. Hoje, graças à política do governo Lula de fortalecer a Petrobras, o setor corresponde a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). No governo FHC, em 1997, esse percentual era de 2,8%. "Com o pré-sal, o salto será enorme, com o setor petrolífero podendo representar 20% do PIB em 2020", diz Devanir.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP) frisa que a trajetória da Petrobras, de 2003 para cá, reflete as decisões do governo Lula de fortalecê-la e ao setor público em geral, em contraposição à política de enfraquecimento da empresa até então implementada pelo governo FHC. "Hoje, a estatal opera, de modo geral, em todos os setores de energia, muito bem organizada, com incentivo para o avanço tecnológico e diversificação dos investimentos", diz o presidente do PT. Por isso, entre os projetos enviados ao Congresso pelo Executivo sobre o marco regulatório do Pré-sal confere-se um papel especial à Petrobras.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defende a estratégia do governo brasileiro de fortalecer a Petrobras e criar outros instrumentos que garantirão ao Brasil o controle e o usufruto dos benefícios dos recursos do pré-sal. "Esse país não pode ter mais vergonha de ser patriota. Eu não vi um americano ter vergonha de ser patriota, nunca vi um francês. Que história é essa de nacionalista ser xingamento?", indagou a ministra recentemente.
Ela lembrou que a tese do Estado mínimo, em que as empresas podem tudo e o poder público quase nada, acabou com a crise mundial iniciada no ano passado. No Brasil, a crise só pode ser enfrentada em razão do fortalecimento do Estado ocorrido durante o governo Lula.
O Congresso analisa mudanças no setor de petróleo. O governo Lula propõe a alteração do modelo de exploração no País de concessão para o sistema de partilha – o que permitirá ao Estado manter o controle sobre as novas reservas. Além disso, cria a Petrosal, uma nova estatal que será responsável pela gestão das novas áreas do pré-sal, e um Fundo Social para gerir e distribuir os recursos para saúde, educação e investimentos em ciência e tecnologia, meio ambiente e cultura. O Executivo propõe ainda a capitalização da Petrobras.
Fonte: www.informes.org.br

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