Hidrologia, abordagem técnica
E a cidade de Fortaleza uma das que mais sofreu como tem sofrido todo o Norte e Nordeste. Entretanto, a bem da verdade, é justo salientar que a Prefeitura da Capital fez grande parte do que podia: Primeiro, é bom situar em Fortaleza sua hidrografia e geomorfologia.
A capital do Ceará está localizada numa mesopotâmia, sendo os nossos Tigre e Eufrates os rios Ceará e Cocó, com um agravante. Acrescente-se a essas bacias os rios Maranguapinho, Maceió, Pacoti, Jacarecanga, João Lopes, Siqueira, rio Branco e Parreão, além do semisubterrãneo e central Pajeú.
Junte a eles os canais do Jardim América, Aguanambi, Trilho, Damas, Itaoca, Serrinha, Itapery, José Bastos e mais dezenas de lagoas: Parangaba, Precabura, Mondubim, Maria Vieira, Messejana, Maraponga, José Walter, Redonda, Opaia, Sapiranga, Rodolfo Téofilo, Coração, Mel, Papicu, Jacareí, Garrote, Seca, Gengibre, Zeza, Dona Libânia, São Cristóvão, Porangabussu… Sangradouros, centenas de córregos, riachos, afluentes, subafluentes, perenes e temporários que as alimentam. Transforma Fortaleza num brejão, banhado com denso lençol freático e o nível aquático extremamente superficial.
Se estão achando pouco? Vejam o horizonte de Fortaleza e deslumbrem as serras da Aratanha, Maranguape, Baturité, Juá e Garrote, todas contribuindo com a formação dos rios e mais a lixiviação, ou seja, a infiltração da água na formação do lençol freático já extremamente saturado. Pois todas essas águas correm para o mar. E o mar é aqui em Fortaleza, é a parte de dentro da ferradura que fazem as serras do Ceará. A outra é composta por: Apodi, Ibiapaba e Araripe.
Fortaleza, tal qual Roma, tem sete colinas e a mais alta delas está apenas a 26 metros acima do nível do mar. Taí as condições naturais para a formatação dessas poças d’água inacabáveis.
Sim, mas o que fez a prefeita Luizianne? É um trabalho esquecido que principia antes mesmo de enfrentar o primeiro inverno quando o MST, a pedido dela e sob críticas estapafúrdias de incautos, limpou gratuitamente os canais d’água de Fortaleza e desobstruiu o leito do Maranguapinho. Essa foi a ponta de lança de um projeto que vinga o aniquilamento das áreas de risco da cidade, que ano a ano só vinham aumentando, até chegar ao número de 117, com quase 100 mil pessoas atingidas pelo inverno de 2004, anterior à posse de Luizianne. Ela assume dando prioridade ao cuidar das pessoas e, pela primeira vez, o número de áreas de risco diminui, em vez de aumentar, hoje reduzidas a 94. E o número de desabrigados neste inverno não chega a 2.000. Os carros estão sofrendo nos buracos. Mas, as inundações, desmoronamentos, deslizamentos de encostas, enxurradas e desabamentos ainda não fizeram nenhuma vítima fatal em Fortaleza nestes últimos 4 anos.
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