Educação e cotas

02/06/2009 Educação e cotas

O que precisamos fazer como meta primordial, para resolver o problema é melhorar a qualidade da educação no país, só assim todas as pessoas ampliariam suas possibilidades de ingressar nas universidades. A segregação não pode ser resolvida de forma simplista, porque tal fenômeno é histórico, em nosso caso seu inicio se dar com a dominação do império português; na época as terras foram ocupadas e depois doadas aos nobres da corte, todos de pele branca. Pois bem, esses senhores foram buscar a solução para resolver seus problemas econômicos na África, através da mão de obra escrava de milhões de irmãos nossos.
Durante os quatrocentos anos de escravidão o negro foi obrigado a trabalhar como se fosse um animal, além do trabalho forçado nenhum outro direito lhe foi provido. Isso produziu o seguinte fenômeno: a elite branca que já havia se apoderado das terras pode também acumular outros níveis de riquezas  e o negro escravo formou uma legião incomensurável  de miseráveis, que perdura até hoje, embora que em níveis diferenciados do pós regime escravista. Está claro que as duas raças têm condições econômicas diferenciadas e o fator econômico determina os diversos fatores sociais, um deles é a educação.
Seria impossível imaginar que um negro pobre estudante de escola pública pudesse competir com um filho da elite que estudou a vida toda em escola particular de excelência. O filho da elite vai à escola em carro com ar condicionado e dispõe das melhores condições para estudar já o pobre vai a escola de pé ou em ônibus lotado, em vez de pedagoga ele tem o professor insatisfeito com os salários e a certeza de que logo, logo, acontecerá uma greve.
Diante dessa realidade histórica é fácil concluir que as cotas são insuficientes, portanto se fazem necessárias outras medidas. Uma delas poderia ser a cobrança de mensalidade nas universidades públicas para aqueles que são ricos, essa mensalidade serviria para subsidiar o ensino público no país. Se eles sempre pagaram pelo o ensino básico, por que não pagar pelo o superior?
Outra forma poderia ser a criação de um percentual de vagas para alunos da escola pública. Se oitenta por cento dos alunos brasileiros são de escolas públicas por que não reservar pelo menos sessenta por cento das vagas nas universidades públicas para esses alunos? Desse modo os segregados independentemente da cor seriam contemplados.
A sociedade precisa discutir o tema, por que a discussão faz suscitar novas idéias para que se encontre a saída desejada. A lei do piso é uma excelente iniciativa, não tenho duvida de que contribuirá de forma significativa para elevar a educação a um patamar diferente. Para isso é necessário o convencimento dos governadores e também uma forte pressão social para que possamos pô-la em pratica. Essa deve ser a nossa cota de sacrifício por uma educação de qualidade e libertadora.

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