Categorias conquistam até 11,54% de ganho real, mas empresários dão 0% para jornalistas de impresso
Os sapateiros conquistaram percentual de 11,54% além do índice inflacionário, os comerciários conseguiram 4,65%, os ópticos 3,73%, os bancários 2,66%, os vigilantes, 2,45%.
É injustificável que os empresários queiram dar aos jornalistas 0% de ganho real se nas duas últimas campanhas salariais, em 2006 e 2007, a categoria conquistou além da inflação 1% e 0,75%, respectivamente. O reajuste oferecido pelos patrões é R$ 17,64 menor do que o conquistado pelos jornalistas em 2004, quando a categoria obteve 4,19% de ganho real.
A indisposição dos patrões é ainda mais desrespeitosa quando se leva em conta o baixo piso salarial pago hoje aos jornalistas de impresso: R$ 1.152,00. O piso de várias outras categorias supera o dos jornalistas. Os mestres de obra, por exemplo, têm um piso de R$ 1,2 mil.
A campanha salarial dos jornalistas de impresso está prestes a completar oito meses. A categoria reivindica 1,02% de ganho real, mas os patrões insistem em dar como reajuste apenas o percentual da inflação no período de setembro de 2007 a agosto de 2008, que foi de 7,15%. O piso dos jornalistas de impresso é de R$ 1.152,00, menos de três salários mínimos.
Enquanto a campanha salarial no setor de jornais e revistas está emperrada, na área de mídia eletrônica tem avançado. Jornalistas de rádio e televisão se reúnem em assembleia nessa quinta-feira (30/4), às 18 horas, na sede do Sindicato dos Jornalistas, para delibar se aceitam a mais recente proposta dos empresários: reajuste de 6,75% para quem ganha o piso salarial e de 6,5% para quem recebe acima do piso, percentuais superiores à inflação de 6,48% no período que antecedeu à data-base de janeiro. Se a proposta for aprovada, a diferença entre o piso dos jornalistas de impresso e o dos jornalistas de rádio e tevê chegará a R$ 300. Os profissionais de mídia eletrônica têm hoje um piso de R$ 1.360,42, que passaria para R$ 1.452,25.
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