Mulheres em Marcha e em Alerta
A crise do estado mínimo e a agonia do mercado financeiro que se mostra frágil e débil ao propagar a ruína, o desmonte, a falência de um sistema econômico acreditado como infalível.
Alguns estudiosos (as) divergem sobre a flexibilização da modernização capitalista. Chamam atenção para o domínio masculino (patriarcado), que tem atingido níveis de sofisticação a cada momento que supera as fragilidades numa relação de poder unilateral, onde as mulheres são comandadas pelo jogo universal do moderno sistema produtor de mercadorias.
O movimento feminista, em particular, mulheres e os movimentos sociais de maneira geral, enfrentam um cruel dilema: a natureza e o objetivo da participação da mulher numa dimensão emancipatória e política.
Não é à toa que nesses últimos oito anos o MMM se constitui e se propõe a dialogar com setores feministas organizados na América Latina e parte da Europa. A Marcha Mundial das Mulheres ao lançar a sua carta mundial para humanidade reconhece a pessoa humana como uma das riquezas mais preciosas. Identifica o patriarcado como sistema de opressão das mulheres e o capitalismo como sistema de exploração da imensa maioria de mulheres e homens. Reivindica a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz. O movimento se determina a garantir uma agenda anticapitalista e anti-patriarcal nas esferas locais, nacionais e internacionais. Temas como: a pobreza e a violência, a valorização do salário mínimo, o direito à terra, a legalização do aborto, a Área de Livre Comercio das Américas (Alca), a Organização Mundial do Comércio (OMC), o deserto verde e a violência sexista, a política econômica e a reforma urbana fazem parte de um debate que ousa alcançar grande parcela desinformada da sociedade. É um desafio que nos põe em alerta, pois mesmo os avanços e a sensibilidade de pessoas em algumas esferas do poder ao acatar leis, implantar programas e abrir espaços para esse debate da desigualdade de gênero é insuficiente, afinal o Brasil é um país recordista em legislação para defesa e proteção das mulheres. Poucas mulheres tomam conhecimento. E as leis em geral não saem do papel e sem aplicabilidade os governantes tornam-se cúmplices pelo descaso e a indiferença às questões. As políticas públicas ainda são insatisfatórias. Continuamos com menos de 10% dos cinco mil municípios brasileiros com delegacias especializadas e as casas abrigo que não passam de 30 (trinta) em todo o território nacional. O artigo 185 da Constituição do Estado do Ceará de 1989 torna direito constitucional o atendimento à mulher vitima de qualquer forma de violência e garanti instituir delegacias especializadas de atendimento à mulher em todos os municípios com mais de sessenta mil habitantes. Em 2004 através da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa com apoio do movimento organizado de mulheres lançaram campanha por Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher. Cobrava-se o cumprimento da lei. 70% da população pobre do Ceará são compostas de mulheres. O culto ao coronelismo marcou profundamente o destino das mulheres cearenses. Mães, filhas e netas, cada uma, em seu tempo, contribuiu com uma quota de sofrimento e submissão na feição mais cruel e injusta desse modelo familiar e social. Queremos crer que o Ceará hoje precisa respirar outros ares. Por isso temos ignorado o vazio de iniciativas do governo na perspectiva da política pública para igualdade de gênero. Um silêncio profundo tomou conta do palácio que recebe o nome da virgem mais famosa da literatura cearense. Iracema. Fora do palácio o grito e o clamor de muitas mulheres despertam a indignação de tantos (as) e se misturam na confusão dos que preferem administrar o caos.
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