Uma visão da crise

24/10/2008 Uma visão da crise

Eu a previ faz sete anos, inclusive escrevi um artigo em que afirmei sua inevitabilidade.

A base de estudo para prevê-la era a situação conjuntural do mundo; que era seguinte: a China através de uma espécie de capitalismo de estado explora a mão de obra barata e espalha pelo mundo produtos baratos e de péssima qualidade; a Europa organizou seu mercado próprio, por sinal muito bem organizado, inclusive com moeda unificada. A Ásia também organizou um mercado forte; além dessa característica, conta com a mesma vantagem que a China, mão de obra barata; a África é muito pobre, praticamente não tem mercado e ainda assim é bastante concorrido; e o Oriente Médio, possui uma boa demanda de consumo, mas é verdadeiramente inimigo dos Estados Unidos.

Diante dessa situação, o que poderia acontecer aos Estados Unidos? Uma crise sem precedentes na história e, eles perceberam. Por isso se anteciparam de forma genial ao problema. Na época México, Canadá e Estados Unidos já participavam do acordo do Livre Comércio da América do norte (NAFTA). Percebendo a crise trataram de expandir o NAFTA a todos os países do Hemisfério ocidental, exceto Cuba.

O nome do novo bloco econômico seria: Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

Com uma população de 800 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) de 11 trilhões de dólares, a ALCA seria a maior zona de livre comércio do mundo.

A proposta foi lançada por representantes dos países das três Américas na primeira cúpula das Américas em dezembro de 1994, no Estado de Maime.

Na ocasião o então presidente do império norte-americano, Bill Clinton, se comprometeu a realizar o que havia sido projetado pelo seu antecessor; George Bush (pai). Esse sonho era criar um acordo de livre comércio que se estendesse desde o Alasca (norte do Canadá) até a Terra do Fogo (sul da Argentina). Seria um acordo que unisse a economia do hemisfério, aumentasse a integração social e política entre os países e se baseasse no mesmo modelo do NAFTA e, deveria começar em janeiro de 2005.

A prova da percepção da crise que a se avizinhava, nota-se na declaração desesperada, mas sem perder a arrogância nem tampouco o pensamento filosófico yank do estasblishment do próprio Bill Clinton.

“Nós temos 4% da população do mundo e controlamos 22% da riqueza do mundo. Se queremos manter essa fatia de riqueza, nós precisamos vender para os outros 96% da população”.

Como se vê, os Estados Unidos, precisava desesperadamente implantar a ALCA, do contrário não teriam onde vender seus produtos, em conseqüência cairiam em depressão.

Contudo, os Estados Unidos, não estava pensando sozinho, a classe trabalhadora latina americana sabia dos efeitos nefastos da ALCA para os seus interesses como: desemprego em massa, perdas de direitos, destruição do parque industrial de todos os países em desenvolvimento e até ameaça à soberania de seus países.

Desse modo tem início uma forte articulação continental na qual a classe trabalhadora desempenhou um destacado papel. O presidente de Cuba Fidel Castro, a Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC), foram os primeiros a comandar a resistência, Hugo Chávez na Venezuela. Lula no Brasil, Nestor Kirshiner na Argentina e Tabaré Vasquez no Uruguai, foram decisivos. Sem eles, a história estaria sendo contada diferente. O papel desempenhado pelos governos de “esquerda”, salvou os nossos países do plano de rapinagem norte-americano e foi capaz de devolver o problema que era deles, para eles. De tal modo que a crise se tornou inevitável.

Vejamos a essência da questão em debate! Os Estados Unidos tem aproximadamente 300 milhões de habitantes, é uma nação com alto padrão de vida. Daí decorrem dois problemas: o primeiro é a manutenção desse padrão, que só será possível se mantiver os empregos e o nível salarial. O segundo não é menos complexo, um país com 300 milhões de habitantes, tem um percentual muito alto de jovens que a cada ano ingressa no mercado de trabalho e, como garantir a esses jovens os empregos necessários?

Só há uma forma, desenvolvendo cada vez mais a capacidade produtiva. Mas como os Estados Unidos iriam resolver esse problema se eles não tinham onde vender o excedente. Sem ter a garantia de venda, nenhum capitalista vai produzir para depois estocar, pelo contrário a primeira medida é a reorganização da produção, que quer dizer, adequação a demanda do mercado.

A conclusão não poderia ser outra: a produção é freada. O dinheiro foge do mercado produtivo, deslocando-se para o mercado financeiro. Esse fenômeno restringe em cadeia o poder de compra da população aumenta a inadimplência nos bancos agravando as crises de ordem financeira.

Numa economia globalizada é inevitável que uma crise que tem sua gênese na maior economia do mundo não contamine o globo, por isso a preocupação dos principais chefes dos países capitalistas; que inclusive já tomaram a primeira medida, a de lançar mão no dinheiro do tesouro nacional para salvar bancos e empresas dos capitalistas.

Mais uma vez o pobre e “indouto” povo, pagou impostos pensando em vê melhorar a educação, a saúde, a segurança, a moradia e outros direitos básicos, mas, terá que esperar, porque agora esse dinheiro ira para os ricos; eles nem podem perder nem tampouco esperar.

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