Conspirando com a História, desmistificando e resgatando verdades do tio bisavô Capistrano de Abreu

03/10/2008 Conspirando com a História, desmistificando e resgatando verdades do tio bisavô Capistrano de Abreu

Estudando a obra do pai da história brasileira, o cearense de Columinjuba – Maranguape – Ceará, João Capistrano de Abreu, nascido em 25 de outubro de 1850 a 158 anos e morto em 13 de agosto de 1927 a 81 anos, saberemos verdades não ditas. Foi ele o primeiro a perceber a realidade sobre o famoso Tratado de Tordessilhas, ´sempre letra morta´, ou seja, aquela linha imaginária, vertical, posta no globo terrestre, por volta do ano da graça de 1500 a 370 léguas do arquipélago dos Açores, apesar do agravante de não determinar de que ilhado arquipelago! que encontramos nas páginas dos livros didáticos, históricos, geográficos do ensino médio ao superior na educação brasileira. Para Capistrano de Abreu, de fato histórico, pouco importa a existência deste tal traço desse Tratado.

O célebre Tratado de Tordesilhas nunca foi parâmetro legal para nenhum português. Segundo Capistrano de Abreu, o que a cabeça do luso via, eram outras linhas, essas não im,aginarias e sim reais, científicas, horizontais, o Trópico de Capricórnio e a linha do Equador. Ou melhor, e bem mais palpável e concreto as bacias do Amazonas e a do Prata.´Esta última é achado português!´ Dizia ele: por elas se guiou a colonização portuguesa, além do exemplar velho chico, o rio São Francisco. De Capistrano: ´ Foi, através delas, que se expandiu o Brasil. Uma civilização se faz às margens de rios´.

Essas verdades não estão na história oficial brasileira. Nem o Trópico de Capricórnio, nem a Linha do Equador, nem as bacias do rio Amazonas, do São Francisco e muito menos a do Prata. Só o que nos resta na escola, alienadamente, é a linha imaginaria do Tratado de Tordesilhas.

No extremo Sul, a guerra cisplatina, a revolta farroupilha, nos fizeram perder o que ´descobrimos´. O que por direito já era nosso, líquido e certo. A colônia portuguesa de Sacramento expandia-se até quase perto das portas da província de Buenos Aires!

Ah, se na nossa Historia alguns sulistas tivessem resistência para conter as forças dos exércitos do Paraguai na fronteira?

Nordestinos não seriam obrigados a interromper o trabalho de expansão que buscava conquistar o mar do Pacifico no Equador, através do inferno verde da hiléia amazônica. Para voltar, e ir, fazer crescer o Brasil, abaixo e além da linha do Trópico de Capricórnio. Aniquilar o republicano Solano López, no extremo Sul, invadir o Paraguai. E tudo isso a troco de nada!

Pois, as províncias do Sul não ocuparam, ou anexaram, sequer um palmo das terras paraguaias! Ressalte-se principalmente o significativo fato que pesa, quando os cabeças chatas, retiraram-se do Paraguai não deixaram lá sequer um homem branco, jovem, mulher, criança ou velho, vivo. A prova é até hoje, a língua lá também falada, é a nativa e oficial: o idioma guarani. Os sulistas não souberam ocupar território ´vazio ´´ de colonizadores! O Paraguai

Pasmem, alguns sulistas sem conhecimento, de causa poder-se-ia chamá-los insanos, ainda têm a petulância de pregar separatismo. Não têm consciência que só existem hoje por causa dos nordestinos que ocuparam o Paraguai estaria falando guarani ou espanhol.

João Capistrano de Abreu, se vivo, exigiria acesso aos documentos secretos da guerra do Paraguai, trancados a sete chaves nos porões do Itamaraty, assim como os do Araguaia, e todos os outros: Caldeirão, Cabanagem, Canudos, Balaiada, Sabinada, Alfaiates, Mascates, Quilombos, Praieira…. Registre-se, não os destruiria, como provavelmente queimaria Rui Barbosa.

E mais, sobre o papel fundamental dos nordestinos na guerra do Paraguai. Deixaram no despovoado Sul, enorme prole. Diga-se de passagem, também a infra-estrutura econômica para ocupar e desenvolver a região veio do Ceará, levamos para lá o know how da hoje chamada carne do sul, que de fato não passa do nosso: ´Charque do Ceará ´: Forma artesanal de conservar carne, com sal e sol. Exportada e implantada lá pelo retirante cearense José de Ribamar que, fundou no Rio Grande do Sul, cidade com seu nome. Depois, voltou, com toda a família e muito rico. O cearense sempre volta. A cidade José de Ribamar, berço da carne do sul, na época a mais próspera da região passa a chamar-se Pelotas…

Ainda não encontrei nada sobre a Farroupilha na visão de Capistrano, nem vou encontrar. Mas certamente o historiador de Maranguape – Culuminjuba – trataria Farrapos como folclore, pau de fitas, regado a chimarrão e vinho, festa de churrascos e prendas…

Em suma, arremedo americano, caquético de cruzadas européias inodoras. Já bem carcomidas, esclerosadas pelas jocosas, estapafúrdias e obsoletas oligarquias sulistas. Faça-se justiça, essa guerra de certa forma não difere nada das belas e medievais festas e danças realizadas hoje nos Centros de Tradições Gaúchas. Não, brasileiras. E muito bem afeiçoadas à suntuosidade da velha Europa, isso sim.

O chamado Sul Maravilha não tem merengue, congada, maracatu, maxixe, coco, xaxado, frevo, forrobodó, banda cabaçal. — Que maravilha?

E ora bolas! Bah, tchê, convenhamos, até o grande herói da história do Sul é estrangeiro! Na falta, veio Garibaldi dos confins da Itália. Deixando mais claro: certo é que o Sul tão pouco tem escopo territorial para forjar e enraizar história genuína. Enfim é só uma faixa estreita de pampa no fim do país, quase inexistente, frente à enormidade da nossa fronteira Norte na fechada selva da amazônia, que o aventureiro e nômade povo cearense desbravou, ocupou e anexou ao território do Brasil. Bem ao contrario do Paraguai

Suponhamos que os sulistas tivessem mantido ao menos parte da colônia de Sacramento, assegurada antes do Tratado de Tordesilhas. Ou pelo menos mantido a integridade da nossa fronteira diante de Solano López. Mas, não! Os sulistas deixaram as forças paraguaias ocupar quase um sexto do território do Brasil! Até o Mato Grosso os exércitos paraguaios invadiram buscando já bem mais que uma justa saída para o mar. O presidente Solano Lopes e o povo paraguaio lutou contra as maiores potências do Sul da América, a Tríplice Aliança: Argentina, Uruguai, Brasil. E não fosse isso fruto da velha e eficiente tática do domínio europeu no mundo: Dividir mal para governar eternamente. A História da América seria, outra bem diferente, melhor, interativa e coesa. Pegue um compasso marque a cidade de Fortaleza e abra até a cidade de Assunção de pois do tropico de Capricornio tire a ponta do compasso de Assunção e faça um traço acima da linha do Equador.

Seguramente as Guianas hoje eram um prolongamento do Pará e quiçá teríamos praia, à beira-mar do Oceano Pacífico, defronte as ilhas Galápagos! Para compreender essa simplicidade óbvia é só tentar calcular o quanto perdemos de terra ao Norte, na época que fomos guerrear ao Sul dentro do Paraguai e a troco, de nada, (repito e é bom ;algumas coisas são boas de repetir, redizer, dignas, benditas sejam: a troco de nada enviando mais de oito mil cearenses e outros milhares de nordestinos para expulsar os invasores paraguaios. E invadir o vizinho que só queria mar. Cearenses foram de sua terra da luz, a mais de sete mil quilômetros enfrentando os pampas, o frio minuano de alpercata e gibão, aniquilando a época o muito bem armado exército do sul do conmtinente Paraguai, na ponta da peixeira . Enquanto ao Norte, as desfalcadas bandeiras nordestinas, já estavam apenas a 30 léguas do Pacífico. Ah, aí sim o Brasil seria como todos os outros grandes países do Novo Mundo a exemplo do Canadá, Estados Unidos da América e México…, igualmente banhados pelos dois oceanos, Atlântico e Pacifico. Poderia fazer sentido a mentira atribuída a Rui Barbosa: ´A Europa se curvaria diante do Brasil´. Se bem que hoje com a audaciosa política de relações exteriores do governo petista, com Cancún, Davos, Doa Pacto Andino. O Brasil a um passo do G8. Aí é bem possível. Hein! Itamaraty?

Companheiro Presidente Lula, preste atenção ao também autodidata e cabeça chata do Columinjuba, Capistrano de Abreu, de cuja boca profeticamente saiu: …´O Brasil se confrontará com o Equador e ao discutir questões iníquas…´

A propósito, o traçado do ´mapa mundi´ deste planeta muda agora como nunca antes mudou, injusta, sangrenta e velozmente: na Europa a geografia física e política vem alterando limites territoriais de diversas fronteiras. Países são desmembrados, através de genocídio, federações criadas e aniquiladas. E o mapa do Oriente? – Esse, de fato nunca existiu, nem existirá nem hoje e nem amanha, não tem fronteiras nem nunca terão, e sim zonas de exclusão aérea, em paralelos geográficos, muito arame farpado ´desrespeitando´ e maculando as areias sagradas do deserto, banhado de fogo óleo e sangue, pólvora e terror, atentados suicidas, casas destruídas… Impor território fixo a milenares povos andarilhos e nômades!!! Sempre sem fronteira geográfica ou física. E sim humana, móvel e nômade no espaço.

Agora há na Palestina ocupada até a construção de um muro de concreto como o que derrubaram em Berlim. Repetem indiscutivelmente a história numa farsa demente. E nem por isso a história tem fim.

Por que não, nós aqui, no mapa da América do Sul, alteramos ao menos três fronteiras, de forma pacífica, harmoniosa, lógica e pedagógica. Porque não damos uma lição de humanismo para o resto do mundo incluindo a África autofágica. Nesta America latina cvada vez mais vermelha devemos dar oceano aos vizinhos Bolívia e Paraguai que não têm mar. Pacífico à Argentina e ao Brasil que não é inconcebivelmente banhado por ele? Compramos e pagamos, e muito bem, e em dia o Acre. Quanto custa o Pacífico? Era o que sugeriria com certeza o pai da História do Brasil, Capistrano de Abreu ao Presidente Lula para fazer marco, símbolo do Brasil na próxima abertura da Onu.

Creio na política internacional do Estado Brasileiro, no Itamaraty sob o governo Lula do Partido dos Trabalhadores, de interagir a África, Índia, China e a Rússia com o Mercosul. Teria de Capistrano de Abreu apoio irrestrito, em detrimento a continuarmos subalternos e dependentes dos EUA e Europa e FMI.

A ordem é aglutinar os países desalinhados. E mais sem sombra de dúvida o colominjubense Capistrano de Abreu teria sugerido a Lula fazer o discurso tambem em tupi guarani abertura dos trabalhos da ONU.

Analisando a política externa brasileira na sua época, Capistrano achava que o Barão do Rio Branco fez péssimo negócio com certo cavalo nas demarcações territoriais do Acre. E aqui é bom ressaltar: O Acre é o maior município do interior do Ceará. Sua ocupação foi comandada por um gaucho Placido de Castro. ´É o menor estado da Região Norte um dos menores do Brasil.

A consciência geopolitica econômica de Capistrano é enorme. E seria à toa que um dos trabalhos mais incompreendidos de Capistrano, ou seja, o Estudo sobre o povo Caxináua. — Por que é que com tanta tribo dando sopa por aí, o historiador cearense foi optar por eles, os Caxináuas. O povo mais ao extremo Norte do Brasil? A nação indígena Caxináua, estende-se bem mais além dentro dos territórios boliviano e peruano! E isso é mais que significativo.

É lamentável que grande parte dessa e de outras inúmeras obras de Capistrano tenham desaparecido num sinistro na sua biblioteca da imprensa Nacional. O inconcebível mais de 800 páginas escritas inéditas sumiram entre gráficas e gabinetes. Não custa lembrar que existe lá uma Sociedade Capistrano de Abreu. 70% da biblioteca de Capistrano era alemã, encontramos nas cinzas algumas coisas sobre Goethe, Spencer, Ranke, Humbolt… infelizmente nada sobre Marx! Teria o grande Rui os queimado? Já repararam que entre outros o texto de Rui sobre a honestidade cabe mais na boca de Capistrano que na dele.

O aluno do mestre Luiz Mendes da Ladeira Grande de Maranguape desmistificou inúmeros ícones da história brasileira, por exemplo, para ele o grande Maurício de Nassau ´era um mercenário sem sentido de justiça que lhe apregoam além de larga cobiça venal´…

….´— E o Calabar? — Antecessor da Lei de Gérson, aquela que infernalmente reza: ´a gente tem que dar um jeito de passar a perna no primeiro e levar vantagem em tudo´. Que tantos incautos reverenciam tentando explicar a vil e nefasta traição, como simples oportunismo e muito pior, como se isso fosse virtude! Para Capistrano de Abreu: ´Ele nunca passou de um pulha, oportunista, contrabandista, ladrão, bucaneiro, malabarista…um sem bandeira salvo às das tíbias e caveira´. Capistrano optou por tecer louvor e glória a quem realmente merecia; Mathias Albuquerque, este sim, nunca capitulou, ou se deu por vencido, traiu, fez acordo ou trégua. Acreditava em honra.´

Calabar e Tiradentes de certa forma serviram por meios diversos ao mesmo propósito. Tiveram um mesmo fim. E quanto a propalada hoje Inconfidência Mineira? Capistrano não escreveu uma linha sequer e dizia ´deve ser escrita conjuração mineira com letra minúscula mesmo, senão banida definitivamente da História do Brasil, a exemplo do que fizeram os ingleses com seu similar Guilherme Tell. Era conversa fiada, além disso queriam desmembrar o Brasil…. Silvério dos Reis antes de ser Judas, o traidor, era ´benemérito´.

Na verdade tudo não passou de um imenso joguete publicitário, usado pelas coroas decadentes para aterrorizar todas as colônias rebeldes. Estas e as de além-mar. Diga aí, se pode um ´magote´ de nobres brasileiros do mais puro sangue azul, educados na mais fina flor das aristocráticas escolas européias, deserdados, degradados para o continente negro da África?

Os ´inconfidentes´ conjurados nunca sentiram, o cheiro de pólvora, ou o peso do chumbo, tão pouco suaram erguendo barricadas, ou cavando trincheiras, batalhas, escaramuças, emboscadas, atentados naquelas Minas Gerais, não houve, combate, luta com sangue. Nenhum tiro disparado, nenhuma arma branca desembainhada, um único morto! Isto é lá revolta? Era sim, uma ´revolução´ de brancos dos mesmos, para pagar menos taxa ao reino. Eram os ´inconfidentes de Tiradentes´ escravocratas, queriam a libertação da coroa, mas não a de seus escravos. Na verdade ansiavam criar um novo império sem a tirania insana da Europa. Não pensavam em fazer república não! Tudo coisa de poeta ´ mauricinho´.

Enfim a conjuração mineira serviu mais ao terror da coroa para manter dominada a colônias que propriamente de base para o povo submisso libertar-se.

Já se você for tentar ver as outras revoltas libertárias brasileiras a história é outra História: Cabanagem, Praieira, Mascates, Balaiada, Confederação do Equador, Revolução de 1817, Sabinada, Canudos, Palmares, Caldeirão…sangue e combate. É só o que há. E ninguém fala. É tudo genócidio puro, todas, com todos os crimes de guerra que você nem pode imaginar, porque eles sempre destruíram o pedaço mais sujo da história, por vergonha. Como fez Rui Barbosa queimando a história da escravatura brasileira.

O mais importante nome da cultura do Brasil, Capistrano de Abreu. O Heródoto da América escreveu em carta a João Lúcio de 1920: ´ A mim preocupa o povo durante três séculos, capado e recapado, sangrado e ressangrado´ . Sobre as Atas da Província de São Paulo disse: ´tem mais minhoca que peixe.´ Capistrano nunca teve meias palavras ou papas na língua com as verdades.

Ele introduziu a sociologia e a psicologia ao estudo da história. Foi ele quem denominou, e demarcou magnificamente os ciclos do nosso processo civilizatório: ciclos do ouro, da cana de açúcar… Sinta o gênio de Capistrano, no trecho da página de sociologia histórica sobre o ciclo do couro: ´De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha para carregar água, o mocó ou alforje para levar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em viagens, as bainhas de faca, as broacas e surrões, a roupa de entrar no mato, os bangüês para curtume ou para apurar o sal; para os açudes, o material de aterro era levado em couros puxados por juntas de bois que calcavam a terra com seu peso; em couro pisava-se tabaco para o nariz´.

Por outro lado Capistrano não aceitou nenhum dos convites feitos para viagens pela Europa. ´Há mais o que aprender numa tosca tapera indígena do que nos empoeirentos e lúgubres castelos europeus,´ dizia o historiador.

Capistrano recusou ocupar a cadeira número um da Academia Brasileira de Letras, com o argumento de que tão pouco fora convidado para o mundo dos vivos, neste estava incomodado… quanto mais do imortais! Mas foi Capistrano de Abreu quem indicou o amigo Machado de Assis para sua cadeira na Academia, alimentando o ódio do Rui Barbosa. Esse não perdia uma mordomia na Europa. Inimigo declarado de Capistrano depois que queimou a história da escravatura brasileira com a desculpa de não querer que os brasileiros tomassem conhecimento de tanta vergonha! E depois que descobriu, Rui enganava dizendo saber alemão. Não sabia, a língua dos pensadores, segundo Capistrano.

Logo depois sua biblioteca pegou fogo, culparam os cigarros que ele fumava. Foi convidado a participar da elaboração da Carta Magna da República e escreveu a célebre colaboração à constituição : ´Artigo 1º – De agora em diante todo brasileiro está obrigado a ter o dever de ter vergonha na cara. Parágrafo 1º e único – Revogam-se as disposições em contrário.´ Até hoje esperamos seu cumprimento.

Ateu praticante, Capistrano passou a reclamar de ser sogro de Jesus, depois que sua filha Honorina entrou no convento das Carmelitas e adotou o nome de Maria José de Jesus. Hoje é forte candidata a primeira santa genuinamente brasileira.

Há folclore maldito, tentativas de desmoralizá-lo. Capistrano, nunca foi chicoteado pelo pai, e por isso, fugido para o Rio de Janeiro. O fato real, é que o escritor José de Alencar pessoalmente falou com seu pai, o major Jerônimo de Abreu, convidando Capistrano a ir ao Rio de Janeiro. Convencido facilmente pelo importante convite de Alencar, o major vendeu o mais caro dos seus escravos para custear a estada do filho na então capital federal. Também não é verdade que Capistrano nunca mais retornou ao Ceará. Voltou sim e na companhia de José do Patrocínio para cobrir pela imprensa, a libertação dos escravos na sua terra da luz.

O que matou Capistrano além da fumaça dos cigarros e dos incêndios foi o fato de terem extinto sua cadeira de professor no colégio Pedro II (dizem que por influência de Rui Barbosa) a cadeira de História do Brasil ministrada por ele, passou a ser subalterna à cadeira de História Universal. Isto sim, terminou com ele, junto com a perda do querido filho Abril, que apressou sua vontade de voltar ao Ceará, que a morte impediu.

Tão pouco Capistrano era avesso à água. O Columinjuba onde nasceu é ainda hoje uma das maiores concentrações de açudes do Ceará, e seus cangapés ainda hoje são comentados. Na verdade ele desprezava as roupas da moda. Era displicente com as futilidades da vida, a pompa das cerimônias e hierarquias burocráticas. Ao contrário de certos ´almofadinhasa a la Rui´. Mas, higiene pessoal era sagrada para ele. Há muita injustiça, histórica e pessoal sobre Capistrano de Abreu que precisa ser reparada. Já dois anos antes de sua morte emitiu correspondência articulando apressar sua volta ao Ceará, tendo Columinjuba como prioridade, pedia com freqüência notícias sobre parentes do vizinho Sítio Saco Verde, chegou a mandar a seu irmão Sebastião de Abreu os primeiros livros do que restou de sua biblioteca. Do Columinjuba nunca deixou de receber as redes e os molhos de pimenta que adorava. O grande cearense armava para voltar à terra da luz. Ao chegar ao Rio de Janeiro aos 21 anos e apresentado por José de Alencar à intelectualidade carioca provocou tanto frisson que passou a autointitular-se João Ninguém. No fim da vida fazendo estudos genealógicos, estava descobrindo ser descendente direto de ninguém nada menos que Pero Coelho de Souza, o Capitão-Mor que voltou à terra de Iracema. Pretendia fazer pesquisa ´in loco´ sobre sua ascendência.

No estudo das lendas descobertas por Capistrano, descobrimos que os primeiros nautas que aqui aportaram iniciando a civilização cabeça chata são náufragos do continente perdido de Atlântida e o que corrobora com isso são as incontáveis inscrições fenícias deixadas nos monólitos do Quixadá. Além do célebre texto de Euclídes da Cunha: ´o sertanejo é antes de tudo um forte.´ O homem transfigura-se …e a cabeça firma-se-lhe alta, sobre os ombros possantes, aclarada pelo olhar desassombrado de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.´

Sem dúvida é hora de contar minha teoria secreta que enuncia: Se um terço dos cearenses sobrevivessem à seca teríamos neste planeta mais cearenses que japoneses.

Em suma o melhor presente para estes 158 anos de Capistrano é nós, cabeças chatas cearenses. Essa gente há de saber cooparticipar e alavancar das ainda existentes fundações, da casa onde nasceu Capistrano, transformar parte da Columinjuba num memorial vivo do sertão brasileiro.

 

Por: Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Júnior

Memorialista

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