Postura autoritária
Apesar de ter exercido a função de prefeito de Fortaleza em plena ditadura militar, o atual governador Lúcio Alcântara conseguiu imprimir uma imagem de democrata nos seus anos de vida pública. Mas será que o político Lúcio Alcântara é verdadeiramente um democrata? Em pelo menos dois episódios recentes, a postura do governador deixa dúvidas.
Relembro agora o caso da eleição para reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA), em 2003. Houve uma eleição direta que mobilizou a comunidade universitária. Mas o governador preferiu indicar o segundo colocado no processo. O vencedor da eleição, professor Plácido Nuvens, foi preterido, gerando instabilidade administrativa e política na Universidade que persiste até hoje. Por que será que o governador desrespeitou a vontade da comunidade universitária?
Nas últimas semanas, assistimos a disputa semelhante no caso da Defensoria Pública do Ceará. O defensor Luciano Simões, que obteve apenas 25% dos votos no processo de eleição interna, foi nomeado pelo governador. O defensor, Renan Cajazeiras, que foi sufragado com 75% dos votos foi preterido.
A Defensoria Pública é composta por profissionais conhecidos como advogados do povo. Quem não pode pagar advogado, procura sua defesa gratuita no órgão. No entanto, o governador tem demonstrado falta de compromisso com a Defensoria. Além do processo conturbado de indicação do Defensor, a quantidade de profissionais é insuficiente e os salários são incompatíveis com a função. Os defensores chegam a ganhar 20% em relação aos procuradores, promotores, juízes, desembargadores e conselheiros estaduais que exercem funções equivalentes.
Que democracia é essa que desrespeita a vontade da maioria? Infelizmente, o Poder Legislativo acabou aprovando essas posições do governador, apesar da resistência da minoria.
22/11/2005
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