O PT e a pauta social

28/03/2008 O PT e a pauta social

O embrião se desenvolve ao longo das lutas democráticas e sociais de 1970 até que o partido é criado em 1980. Participamos das eleições de 1982 e poucos, mesmo dentro da esquerda, apostavam no partido. Éramos considerados uma “proposta para o futuro”, mas numa perspectiva tão distante era como se estivéssemos desejando o impossível com aquelas eleições.

Mas o futuro chegou, rápido até, se pensarmos na perspectiva histórica de construção de propostas políticas viáveis. De 1982 para cá, o partido passou por um bom e consistente processo de crescimento político, com mais acertos que erros, o que nos permitiu amadurecer junto. Esse crescimento se deve a uma série de fatores, mas permito destacar aquele que, na minha avaliação, preserva a principal característica de sua origem: para além do compromisso ético com a transparência e distinção entre público e privado, o PT colocou na agenda nacional a discussão sobre uma outra dimensão ética, no sentido lato sensu, que é a dimensão social. Na tradição cristã, chamamos de opção preferencial pelos pobres. A tradução, dentro dos princípios republicanos – como deve ser – do PT, é o que conhecemos por inversão de prioridades (governar para todos, mas priorizando os recursos onde a vida humana esteja mais ameaçada).

Com essa dimensão, o PT reforça seu compromisso em defesa da vida como norteador de todos os direitos. E, considerando a realidade brasileira, onde historicamente prevaleceu o modelo concentrador de renda que modelou a nossa dívida social, essa postura conduz o partido a defender a centralidade das políticas sociais, demonstrando o papel estratégico que elas cumprem na promoção de um desenvolvimento integral e integrado.

A agenda social dentro do PT surge com o próprio partido, como sua razão de existir. A partir das próprias bases presentes majoritariamente no partido: trabalhadores da roça e da cidade, servidores, mas sempre em uma linha de diálogo e de respostas às exigências da realidade a partir de princípios éticos superiores. Mas nunca fomos um partido que paira acima da dialética e dos desafios da vida presente. O compromisso social é nosso eixo unificador e é fundamental para que nosso partido se abra cada vez mais, seja um partido amplo, de massas, democrático, num processo de interlocução cada vez mais refinada com as diferença regionais e sociais do Brasil, mas mantendo sempre uma fidelidade rigorosa às suas linhas básicas: o compromisso com a ética e a ética ampliada em sintonia com a transformação social.

Não podemos perder de vista que muito do que o partido é hoje se deve ao nosso compromisso com a justiça social. Ampliamos também nossa compreensão da realidade brasileira. Mas foi também fiel aos princípios que acompanhamos esse processo de crescimento do partido para implementar ações e projetos que estão mudando a realidade do país e cumprir cada vez mais o nosso grande desafio, sob a liderança do presidente Lula, de promover o crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social.

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