Fortaleza e seus encantos

12/04/2007 Fortaleza e seus encantos

Depois de adulta, ainda visito às vezes o Passeio Público. Não me importa se a estátua de Vênus já tenha perdido um braço. Nem que as prostitutas e os marginais tenham ocupado um espaço que no passado era dos namorados e das crianças alegres e bem vestidas.

Por volta de 1960 ainda íamos lá, eu, irmãos e pai, que adorava pracinhas. Rodeava correndo aquele baobá centenário, que meu pai dizia ser uma árvore africana. Pois foi à sombra dele (meu pai contava) que foram fuzilados os heróis da Confederação de Equador, dentre outros o Padre Mororó, Pessoa Anta e Carapinima.

A construção do Passeio Público iniciou-se em 1864, na gestão do então presidente de província Fausto Aguiar. Primitivamente o local teve outros nomes, como Campo da Pólvora ou Largo de Fortaleza, que lembram as inúmeras batalhas contra os invasores, até mesmo por sua localização: vizinho Quartel General, 10ª Região Militar, que antigamente era o Forte de N. Sr.ª de Assunção. Foi ainda Largo do Hospital da Caridade, por situar-se em frente à Santa Casa de Misericórdia. Em 1879 o Passeio Público passou a se chamar Praça dos Mártires, mas quase ninguém a conhece por esse nome. Pois cadê as estátuas dos nossos heróis? O que ainda vemos são as antigas estátuas importadas da França, representando os deuses gregos: Mercúrio, Baco, Diana, Vênus.

Por muitas vezes o local esteve abandonado. As pessoas foram deixando de freqüentá-lo, após a construção da Praça do Ferreira. Foi quando as prostitutas e os desocupados foram se aproximando e fizeram dele o seu reduto. Na mais recente reforma, sociedade e prefeitura polemizaram: as prostitutas ficam ou saem da praça? Coisa mais esquisita, uma praça onde os cidadãos e cidadãs não podem transitar. Questionou-se mesmo se prostituta era ou não cidadã. Os defensores das minorias marginalizadas logo reagiram: as prostitutas ficam. Os incomodados que se retirem!.

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