Linguagem Inclusiva de Gênero: Algumas Reflexões

03/07/2006 Linguagem Inclusiva de Gênero: Algumas Reflexões

O termo gênero nasce a partir dos estudos feministas para demonstrar que as relações de subordinação e desigualdades existentes entre homens e mulheres na sociedade não são coisas naturais como as diferenças biológicas, mas são relações construídas historicamente a partir do poder e da cultura de superioridade masculina existentes na história da humanidade.

Os estudos de gênero vêm propor a concepção de uma sociedade em que mulheres e homens sejam consideradas pessoas num mesmo patamar de igualdade, direitos e oportunidades.

A linguagem inclusiva é um dos campos de estudos que vem sendo desenvolvido dentro da concepção de gênero, diz respeito a inclusão do feminino na elaboração lingüística. Propõe a utilização dos termos masculino e feminino na construção da linguagem como, por exemplo: “Sala dos professores e das professoras”; “Casa da cidadania”, em vez de “Casa do cidadão”; “O ser humano”, em vez de “O homem”; “Os alunos e as alunas” etc.

A construção da linguagem inclusiva de gênero objetiva incluir, objetiva trazer igualdade e está circunscrita a um processo de transformação cultural que vai ser construído paulatinamente, na medida em que houver o reconhecimento social de que mulheres e homens são seres humanos que se complementam, com direitos e oportunidades iguais perante a sociedade. Nesse sentido, a comunicação social escrita, falada e televisionada pode contribuir significativamente, por ser um espaço de informação e um campo de conhecimentos em que se inserem múltiplas possibilidades para construir influências na vida humana e na cultura de um povo.

Assim, considerando que a informação midiática constitui-se um princípio fundamental para desenvolver processos formativos de cognição, torna-se imperioso a re-significação da linguagem predominante masculina nos meios de comunicação para desconstruir as referencias de dominação e exclusão feminina ainda tão presentes na cultura e nas representações sociais.

Essa construção da linguagem inclusiva abarca a dimensão da diversidade cultural como um caminho potencializador de novas determinações históricas culturais na forma de ver e conceber os seres humanos, contribuindo para diminuir o abismo de desigualdades entre o masculino e o feminino existente.

Não devemos pensar que essa questão seja pouco importante por tratar-se de tema que envolve mexer em toda uma construção histórica de formação da linguagem e de valores culturalmente enraizados, mas, ao contrário, considerar como um desafio de reformulação interior para fortalecer a concepção de pluralidade sobre a vida e o ideário de que é sempre possível construir possibilidades sobre tudo que se contrapõe aos preceitos de igualdade, democracia e emancipação social.

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