Preconceito e homofobia

12/06/2006 Preconceito e homofobia

Nos últimos dias circulou na mídia uma crítica sobre o fato de uma assessora municipal ter participado do VI Seminário Nacional de Lésbicas, em Recife, com todas as despesas pagas pela Prefeitura de Fortaleza.

Haveria problema nisso? Se a Prefeitura tivesse enviado uma assessora para um evento sobre negros, mulheres, crianças e adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência, o fato seria destacado, de igual modo? Será que o fato viola algum princípio da administração pública? A construção de políticas públicas de direitos humanos vinculados à livre orientação sexual é ilegítima?

O conteúdo desse tipo de comentário revela e reproduz o preconceito (construção mental ou afetiva, uma idéia preconcebida sobre uma pessoa ou grupo de pessoas) e a discriminação (qualquer distinção, exclusão ou preferência que tenha por efeito anular ou destruir a igualdade de oportunidade e tratamento) contra os gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros – GLBTT, dando a entender que esses assuntos não seriam da competência do poder municipal.

Precisamos aprender a conviver com a diversidade. E isso não é possível sem virtudes essenciais para uma sociedade democrática e plural: respeito e tolerância. “Uma das grandes dificuldades da existência humana é conviver com o diferente, alegrar-se e enriquecer-se com essa convivência. Toda convivência obriga a ter respeito ao outro e, ao mesmo tempo, tolerar aquelas dimensões que nos causam estranheza e até rejeição. Respeitando as diferenças podemos estar juntos com leveza e despreocupação” (Leonardo Boff).

E pior do que esse tipo de comentário é a atitude de alguns professores que estão distribuindo nas escolas municipais cópias do Diário Oficial do Município, contendo a portaria que autorizou a viagem. Acreditam que estão apenas atacando a Prefeitura. Estão mesmo a disseminar o preconceito e a homofobia. Péssimo exemplo!

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