Nós, negros e negras

15/05/2006 Nós, negros e negras

13 de maio. Outrora comemorado como o “Dia da Libertação dos Escravos” a data foi re-significada pelo Movimento Negro para ser o Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, um momento importante para refletirmos sobre a situação da população negra no Brasil. Os dados sócio-econômicos demonstram que a festejada democracia racial é um mito e que os negros e as negras ocupam as piores posições nas estatísticas oficiais.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2005, produzida pelo IBGE a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004, os negros são 16% da elite e 66% dos pobres. Representam 48% da população, mas são 2/3 dos 10% mais pobres e 1/6 entre o 1% mais rico. A cada 6 brasileiros pertencentes à elite apenas 1 é negro. De cada 6 pessoas pobres, 4 se autodeclaram pretas ou pardas. A população negra compõe 66,6% dos 10% mais pobres e 15,8% dos 1% mais ricos do país.

O relatório intitulado Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas 2006 provou que os negros são minoria em todas os níveis do quadro de funcionários das grandes empresas do Brasil. São 3% dos diretores e 26% dos subordinados. Quanto maior for à posição na hierarquia menor a presença.

Na Universidade 97% são brancos e somente 2,5% são negros. A taxa de analfabetismo dos negros é 16% e dos brancos 7%. Cerca de 27% dos negros com idade entre 18 e 24 anos ainda está no ensino fundamental enquanto os brancos são 11%. No ensino médio: 35% dos jovens brancos não estão na série adequada para sua idade, porém na juventude negra o percentual é de 51%.

Para reverter essa realidade é essencial a implantação de amplas, públicas e privadas, ações afirmativas: políticas de cota, de preferência e de permanência. Os negros e as negras brasileiras têm esse Direito.

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